sexta-feira, 1 de julho de 2011

Fala Safatle!



Há alguns dias, uma pesquisa veio mostrar o que todos aqueles que realmente se preocupam com reforma tributária no Brasil sabem: os ricos pagam pouco imposto.

Quem recebe R$ 3.300 por mês, leva para casa, descontados Imposto de Renda e Previdência, 84% do seu salário. Já alguém que ganha R$ 26.600 por mês, leva 74%.

Um profissional holandês, por exemplo, pode contar apenas com 55% de seu salário, e mesmo um norte-americano traz para casa menos que um brasileiro: 70%.

Ao mesmo tempo em que descobríamos a vida tranquila dos ricos brasileiros, chega a notícia de que a quantidade de milionários no Brasil aumentou 5,9% em 2010, atingindo a marca de 115,4 mil pessoas com fortuna de, ao menos, US$ 1 milhão.

O que não deveria nos surpreender. Afinal, vivemos em um país onde o processo de concentração de renda está tão institucionalizado que as classes mais abastadas têm um sistema de defesa de seus rendimentos sem par em outros países industrializados.

Dentro de alguns anos, a chamada nova classe média descobrirá que não conseguirá mais continuar sua ascensão social. Entre outras coisas, ela tomará consciência de como seu orçamento é brutalmente corroído por despesas com educação e saúde.

Um Estado preocupado com seu povo taxaria os ricos e as grandes fortunas a fim de ter dinheiro suficiente para criar um verdadeiro sistema público de educação e saúde.

Por que não criar, por exemplo, um imposto sobre grandes fortunas vinculado exclusivamente à educação? Isto permitiria que essa nova classe média continuasse sua ascensão social.

Tal ascensão seria ainda mais facilitada se a carga tributária brasileira parasse de privilegiar o consumo, e focasse a renda. Uma carga focada no consumo, ou seja, embutida em produtos, é mais sentida por quem ganha menos.

Há pouco, um estudo mostrou como o 0,1% mais bem pago no Reino Unido recebia, em 1979, 1,3% dos salários.

Hoje, recebe 5% e, em 2030, deve receber 14%.

Costuma-se dizer que uma das maiores astúcias do Diabo é nos convencer de que ele não existe. Uma das maiores astúcias do discurso conservador é nos convencer, diante de dados dessa natureza, de que conflito de classe é um delírio de esquerdista centenário.

Mesmo que vejamos um processo brutal de concentração de renda institucionalizado e intocado por qualquer partido que esteja no poder, mesmo que vejamos a tendência de espoliação dos recursos de países industrializados por camadas mais ricas da população, tudo deve ser um complô dos incompetentes contra aqueles que bravamente venceram na vida graças apenas a seu entusiasmo e capacidade visionária, não é mesmo? 

Buscado no DoLaDoDeLa

A pressa da ANP em vender nosso petróleo

Fonte Tijolaço

Curiosíssima a ânsia do presidente da ANP, Haroldo Lima, em lançar logo o edital para uma nova rodada de concessões de áreas de exploração de petróleo no Brasil.
É assunto do qual já tratamos aqui.
Não dá para entender, num momento em que as descobertas se sucedem e que nossa capacidade de explorar o petróleo, bem como nossa capacidade de refiná-lo – através da Petrobras  estão “no talo” que a pressa em entregar novas áreas de prospecção esteja deixando angustiados os dirigentes da ANP, cujo mandato se encerra em dezembro deste ano.
Em entrevista à Reuters, o presidente Haroldo Lima chega a insinuar que é a Presidenta Dilma Rousseff a responsável pela “demora”:
“Ele disse desconhecer o motivo do atraso, mas afirmou que “ouviu dizer” que a presidente teria pedido para ler com minúcia todo o material do leilão e “estaria muito ocupada”.
Mas então a presidenta não deveria estudar minuciosamente uma decisão como essa? E ela não é uma pessoa muito ocupada?
Certamente há as melhores intenções técnicas da diretoria da ANP em realizar o leilão – que ocorre meses após a publicação do edital – antes do encerramento do seu mandato. Porque a explicação que ele dá, de que “o final do ano já não é tão bom para o leilão”,  só pode ter sido provocada por isso, uma vez que não é possível imaginar que grandes empresas petrolíferas não possam participar de um leilão nesta época por estarem envolvidas com a compra de presentes de Natal”.
E depois, o presidente da ANP sabe que esta tarefa é complexa, tanto que, só para começar, timidamente, a cumprir as medidas urgentes determinadas pela presidenta para regular o mercado de etanol, a sua agência levou dois meses, só para colocar em audiência pública, dois genéricos projetos de resolução para o setor, de alcance extremamente limitado.
O petróleo que está nas áreas que seriam licitadas está lá, não vai fugir nem desvalorizar. O dinheiro  da população  que se vai com os abusos no preço do etanol, ao contrário, vai e não volta.
Então,  pressa por que? A Petrobras terá de fazer das tripas, coração – e talvez até comprometer investimentos já em curso – para não deixar que as multis peguem a maioria das áreas que vão a leilão.
Não há problema em que se faça o leilão no final do ano, embora o melhor fosse não fazer e esperar o desenvolvimento dos atuais campos, onde está aparecendo petróleo a rodo. Mas a Petrobras, mesmo se for no final  do ano, vai cumprir o seu papel e lutar para arrematar boa parte dos blocos. Em matéria de presente de Natal, esse é o melhor: o petróleo ser dos brasileiros.

Buscado no Gilson Sampaio