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domingo, 11 de novembro de 2012

A GRANDE PARTIDA: Anos de Chumbo (2011)

buscado no Docverdade


(Brasil, 2011, 75 min. - Peter Cordenonsi)
O docverdade tem a honra de postar, a pedido do diretor Peter Cordenonsi, o mesmo diretor de "O Petróleo tem que ser nosso", esse revelador documentário, que trata de maneira objetiva dos relatos dos que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, quebrando os mitos criados pela mídia tradicional, a mesma que apoiou o Golpe de Estado.


Sinopse: Relatos comoventes, antes silenciados pelos traumas do regime, que nos passam informações preciosas sobre os últimos 50 anos de história do Brasil. Também uma renovação de esperança na construção de uma sociedade menos desigual e mais humana.
Depois de lançar o livro A Grande Partida: Anos de Chumbo, Francisco Soriano toma para si a missão de reunir vários companheiros, sobreviventes da ditadura de 1964, para juntos relembrarem a saga vivida na luta clandestina, buscando a libertação da sociedade brasileira submetida ao terrorismo do Estado policial.
“Esses caras é que ainda não entenderam que o mundo deles já morreu. Esse é o mundo que vai contrário da evolução da humanidade. Eles são a anti-evolução: O sistema patriarcal, hierárquico, autoritário, capitalista, materialista, consumista.

Esta cultura que reduz tudo a mercadoria... ela já é morta.

Nós fazemos parte de um mundo de esperança, que está se anunciando em cada gesto cada palavra rompendo com o nosso velho homem e nossa velha mulher.“ (Marcos Arruda)

Download: Torrent 

 



quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Testemunho de Lizzie Phelan - Jornalista

Legendas em espanhol e publicação: Georgina Miller Carrasco
 
Situacao na Libia video censurado no Youtube
Testigo de la situacion en Libia - video censurado en youtube from Georgina Miller Carrasco on Vimeo.


Buscado no Redecastorphoto

PUXADINHO DO JADER 
Reproduzo aqui o COMENTÁRIO DE
glapido disse...
O vídeo original, no Youtube, tem legendas em Portugues-BR
http://www.youtube.com/user/harryfear, e tem mais dois depoimentos muito interessantes

Ressalvo também a importância deste vídeo completo e o  
blog Matutações também do gladido
http://matutações.wordpress.com/

sábado, 25 de junho de 2011

Eduardo Galeano – Essencial - Texto

Por Ana Helena Tavares


O texto abaixo é de Eduardo Galeano. Não foi escrito por ele, foi dito em um vídeo abaixo. Me dei ao gosto de fazer a transcrição (trabalho não seria a melhor palavra), porque fiquei absolutamente fascinada e penso seriamente em colocá-lo pendurado na porta do meu armário para ler com frequencia. Compartilho com imensa satisfação. Deliciem-se.
“O entusiasmo é uma vitamina “E “– de Entusiasmo -, que vem de uma palavra grega que significa “ter os deuses dentro”. E toda a vez que eu vejo que os deuses estão dentro de uma pessoa ou de muitas, ou da natureza, ou das montanhas, ou dos rios, eu digo: isso é o que me falta pra eu me convencer de que viver vale a pena. E que viver está muito, muito, muito além das mesquinharias da realidade política onde se ganha ou se perde… E da realidade individual, também. Ganhar ou perder na vida… isso importa pouco! Em relação com esse outro mundo que te aguarda. Esse outro mundo possível. Que está na barriga deste.
Vivemos um mundo infame, eu diria. Não nos incentiva muito… Um mundo mal-nascido. Mas existe outro mundo na barriga deste. Esperando… E é um mundo diferente. Diferente e de parto complicado. Não é fácil o seu nascimento. Mas com certeza pulsa no mundo que estamos. Um outro mundo que “pode ser”, pulsando no mundo que “é”. Essas manifestações espontâneas na Espanha são prova disso. E alguns me perguntam: “Mas o que vai acontecer?! E depois?! O que vai ser?!” E eu simplesmente digo o que nasce da minha experiência: Bom… Nada. Não sei o que vai acontecer. E não me importa o que “vai” acontecer. Me importa o que “está” acontecendo. Me importa o tempo que “é”. E o que “é” é o tempo que se anuncia sobre outro possível que acontecerá. Mas o que acontecerá no fim, não sei.
É como se me perguntassem quando me apaixono, quando vivo uma experiência de amor a fundo de verdade, quando sinto que vivo e não me importo se morrerei nesse momento mágico de amor, quando acontece. Pois então… O amor é assim! “É infinito enquanto dura”. E é importante que seja infinito enquanto dura. Não temos que planejar tudo como se estivéssemos fazendo o balanço de um banco. Assim: “Dívida, balanço, saldo. Estatísticas, probabilidade. O que nos espera?”. E o que me importa a merda que nos espera?
Esses tecnocratas de quinta categoria… são uns ignorantes! Não sabem nada de nada (“un carago de nada!”) e ganham uns salários imensos! E, em cada crise que eles desatam, acabam aumentando suas fortunas! Porque são recompensados por essas façanhas que consistem em arruinar o mundo! Esse é um mundo ao contrário: que recompensa os seus arruinadores ao invés de castigá-los. Não tem nenhum preso, entre os banqueiros que promoveram, provocaram essa crise no planeta inteiro. Nenhum preso! E, por outro lado, há milhares de presos por terem consumido maconha! Ou por terem roubado uma galinha! Milhares de presos! É o mundo do avesso! Um mundo de merda! Mas não é o único mundo possível. E cada vez que eu me junto a essas concentrações lindíssimas com os jovens, penso: Há um outro mundo que nos espera.
Esse mundo de merda está grávido de outro. E são os jovens que nos levam para frente. Esses jovens excluídos pelas seleções regidas pelos interesses dos partidos políticos, nos quais eles já não votam! Eu tô chegando agora da América do Sul. Os jovens chilenos não votaram lá no Chile. 2 milhões de jovens chilenos não votaram! Não votaram porque não crêem na democracia que oferecem a eles. E quantos jovens não votaram na Espanha? Não sei. Nem foram contados. Mas, dentro dos 10 milhões de espanhóis que não votaram, deve haver muitos jovens. E não é que não acreditem “na” Democracia. Não! O que acontece é que não acreditam “nessa” democracia manipulada, nesse nome seqüestrado pelos banqueiros, pelos políticos mentirosos – “artistas de circo” que oferecem uma pirueta diferente a cada dia.
Havia um velho político no Uruguai, morreu há muitos anos, que não era revolucionário nem nada, era um político do sistema, mas era um homem que conhecia a vida mais que muitos outros. Chamava-se Herrera, falava fanhoso. Quando lhe ofereceram um candidato, na lista do Partido Nacional, perguntado “o que você acha de fulanito para senador?”, ele disse: “Não, não, não! Porque esse é um redondo!” Ele chamava de “redondo” àqueles que ficavam “redondos” de tanto girar. Era verdade! E na realidade política atual há uma imensa quantidade de “redondos”, que ficam “redondos” de tanto dar voltas. E os jovens têm culpa de não acreditar nos “redondos”? Ou são os “redondos” que têm culpa de os jovens não acreditarem neles?
Bom, eu gosto de estar aqui conversando, porque é disso que eu gosto: jogar conversa fora. Se você tivesse me pedido para eu oferecer minha versão sobre o futuro da humanidade, eu teria dito: não! Eu gosto de jogar conversa fora, conversar com meus iguais, porque são iguais a mim. Porque somos todos iguais na luta por uma vida diferente. E tomara que isso siga vivo, porque senão… pra que merda viver? Se não for porque creio em algo melhor que isso? Mas não quero transmitir nenhuma mensagem para a humanidade.
Eu estive aqui conversando, me filmaram e tal… Tudo bem. Mais nada. Mais do que isso não posso, porque não sou um guru de nada, nem sábio… Além disso, confesso: os intelectuais me dão pena. Eu não quero ser intelectual! Quando me chamam de “distinto intelectual”, eu digo: Não! Não sou! Os intelectuais são os que divorciam a cabeça do corpo. Eu não quero ser uma cabeça que rola por aí. Sou uma pessoa! Sou cabeça, corpo, sexo, barriga, tudo! Mas não um intelectual, esse personagem abominável!
Como dizia Goya: “A razão cria monstros”. Cuidado com quem somente raciocina! Cuidado! Temos que raciocinar e sentir. E quando a razão se separar do coração, comece a tremer. Porque esse tipo de personagem pode levar ao fim da existência humana no planeta. Eu não vejo a vida como eles. Eu acredito nessa fusão contraditória, difícil, mas necessária entre o que se sente e o que se pensa. Então, quando aparece alguém que só sente, mas não pensa, eu digo: é um sentimental. Mas quando só pensa e não sente, eu exclamo: Ai, que medo! Que horror! Que coisa espantosa! Uma cabeça que rola!
Essa sabedoria não me interessa mais. Me interessa a sabedoria que combina o cérebro com as tripas. Que combina tudo! Sem esquecer nada! Porque a cabeça sozinha é muito perigosa. É como o louvor ao dinheiro, um hino que se lança a cada dia. “Ah, que maravilha a liberdade do dinheiro”. A liberdade dinheiro é inimiga da liberdade das pessoas. Muito cuidado com o dinheiro livre. É muito pior que um animal selvagem livre. Não! Dinheiro livre não! Foi isso o que provocou as maiores catástrofes da humanidade.
O importante é que nós, as pessoas, sejamos livres. E plenamente conscientes de que somos parte da natureza. Esse foi o mandamento que Deus esqueceu: “Serás parte da natureza. Obedecerás à natureza de que fazes parte”. Deus se esqueceu porque estava ocupadíssimo… Mas está em tempo de recuperar isso.”
Buscado no Quem tem medo da democracia?

terça-feira, 7 de junho de 2011

[Grécia] “Como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura” - por ANA

[Grécia] “Como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura” [Algumas semanas atrás, o pai do anarquista Giannis Skouloudis (preso após queimar veículos utilitários da empresa elétrica DEI em 13 de outubro de 2010, em Tessalônica) divulgou uma carta. Ainda que tardiamente, a divulgamos com prazer, porque raras vezes os pais vão além da defesa puramente emocional de seus filhos e filhas e se mostram verdadeiramente solidários com eles e elas.]

Carta do pai do anarquista Giannis Skouloudis

"(O "terrorismo" como um ato de inocência...) Desde quando meninos de 20 anos são chamados de terroristas? Quando você tinha 2 anos foi batizado cristão e aos 22 te batizaram de terrorista, estavam te elogiando porque você já leu mais livros do que aqueles que foram forçados a ler na escola e agora usam isso como prova contra você, te colocam um avental branco nos desfiles e agora te vestem com um chaleco branco à prova de balas quando te levam ao tribunal..." As reflexões são vossas...

Passou 7 meses desde o dia em que prenderam meu filho Giannis Skouloudis por atear fogo a um carro da DEI. O fato de que ele assumiu a responsabilidade por essa ação resultou em sua prisão, na "instituição penitenciária de menores em Avlona" como vocês, o Estado, chamam a estes modernos lugares de punição para as almas humanas.

Vendo como a guerra se intensifica ao longo deste período senti a necessidade de saudar, querendo dar força e coragem, a todos àqueles que estiveram ao seu lado, todos aqueles que resistem, lutam e continuam lutando dentro e fora dos muros contra este sistema podre que nos fazem escravos. Contrariamente ao "curvar-se, lamber e pegar o que puder”. Ao contrário do "ser correto e decente", contra a história de "ficar com" e contra o modo de vida moderno que, como seu ideal supremo, promove a paz, a ordem e a segurança.

Pela minha parte, como pai estou orgulhoso do meu filho e sua postura, mas também de todos os outros meninos que lutam pela liberdade de pensamento e do indivíduo.

E algumas palavras para os pais: nós trouxemos ao mundo os nossos filhos, temos os criado, e chegou o momento de deixá-los para que nos conduzam para o futuro. Não devemos tentar mantê-los amarrados ao passado. Temos que estar ao seu lado nas barricadas e agora temos que aprender com eles.

Eu envio a minha solidariedade a todos os presos políticos, mas também aqueles que estão fora dos muros e seguem lutando, aos que escolheram o difícil caminho para a liberdade total.

Giorgos Skouloudis

Buscado no Provos.Brasil

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Marilyn Manson - Tiros em Columbine (Legendado)

Manson comenta o caso de Columbine depois de ser injustamente acusado de ser o responsável pelo massacre.

Bela e profunda resposta. "Eu ouviria o que eles têm a dizer, que foi o que ninguém fez."
Tiros em Columbine
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terça-feira, 12 de abril de 2011

Mal-agradecida, Folha ataca novela do SBT

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A Folha de São Paulo ficou enfurecida com o relato real de torturado que a novela Amor e Revolução levou ao ar ao fim do seu capítulo da última quinta-feira. Foi por isso que o jornal pôs, neste domingo, seu colunista-bombril, Fernando de Barros e Silva, para atacar a produção do SBT.
O relato que enfureceu o jornal paulista foi o de Rose Nogueira, que, sorvendo uma doce vingança, citou a Folha da Tarde ao descrever as sevícias que sofreu nas mãos da ditadura. Quem é Rose Nogueira? Ah, ela tem uma história com o Grupo Folha…
Antes de tratar do disparo que a Folha fez no que viu e que errou, porque pegou no que não viu, relembremos quem é Rose. Ela foi presa em São Paulo em 1969 e solta em 1970. Era jornalista da Folha da Tarde – jornal antecessor da Folha de São Paulo, também de propriedade da família Frias – e foi militante da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Antes de prosseguir, peço que o leitor assista, abaixo, ao depoimento que Rose deu ao SBT para ser exibido em sua novela. Atente para o fato de que ela põe ênfase no nome da Folha da Tarde, citando-a duas vezes. Em seguida, continuo.


Se o prezado leitor já se recuperou do choque que relato tão duro causa, vejamos por que Rose cita a Folha. E será melhor usar as próprias palavras da depoente para explicar o que tem o seu antigo empregador que ver com o que ela passou na ditadura:
Ao buscar, agora, nos arquivos da Folha de S. Paulo a minha ficha funcional, descubro que, em 9 de dezembro de 1969, quando estava presa no DEOPS, incomunicável, “abandonei” meu emprego de repórter do jornal. Escrito à mão, no alto: ABANDONO. E uma observação oficial: Dispensada de acordo com o artigo 482 – letra ‘i’ da CLT – abandono de emprego”.
Por que essa data, 9 de dezembro? Ela coincide exatamente com esse período mais negro, já que eles me “esqueceram” por um mês na cela.
Como é que eu poderia abandonar o emprego, mesmo que quisesse? Todos sabiam que eu estava lá, a alguns quarteirões, no prédio vermelho da praça General Osório. Isso era e continua sendo ilegal em relação às leis trabalhistas e a qualquer outra lei, mesmo na ditadura dos decretos secretos. Além do mais, nesse período, caso estivesse trabalhando, eu estaria em licença-maternidade.
Não sabíamos disso. Nem eu nem Cláudio Abramo, que tentou interferir para me reconduzir ao trabalho na saída da prisão, sem sucesso. Imagino que ninguém da empresa, atualmente, deva saber ou se interessar por esse assunto. A culpa não é deles. Não sei se isso mudou a minha história, a minha vida. Estou viva.
Pois é… Duro, não?
Enfim, mas a questão é que a Folha não gostou. Apesar de, durante as comemorações dos seus 90 anos, o jornal da ditadura ter reconhecido a parte legal de sua atuação pró regime militar, há partes que os Frias não aceitam discutir porque depõem contra a memória do patriarca da família, hoje na terra dos pés juntos.
Vamos, pois, ao ataque do poodle mais feroz do Otavinho à novela do zangado Senor Abravanel, que não gostou nada, nada de a mídia tê-lo exposto no caso do Banco Panamericano com o Fundo Garantidor. E, em seguida, o que penso do que escreveu.
—–
FOLHA DE SÃO PAULO
10 de abril de 2011
Aposta do SBT não vale como ficção nem como documento
Enredo confunde dados históricos e direção remete a dramalhão mexicano
NA NOVELA COM INTENÇÕES EDIFICANTES, ADULAR A PRESIDENTE PARECE MAIS IMPORTANTE QUE ESCLARECER AS MASSAS
FERNANDO DE BARROS E SILVA
COLUNISTA DA FOLHA
Líder estudantil delicada e idealista, filha de pais comunistas, Maria Paixão (Graziela Schmitt) é a heroína da trama. Seu par romântico é José Guerra (Claudio Lins), jovem major fiel aos ideais democráticos, filho do general Lobo Guerra, da linha dura do Exército. “Maria” e “José”, “Paixão” e “Guerra” -isto é “Amor e Revolução”, novela sobre a luta armada que estreou na terça, no SBT.
Mais do que maniqueísta, tudo é muito primário. O principal vilão, supostamente inspirado na figura de Sérgio Paranhos Fleury, o chefe torturador do Dops (a polícia política da ditadura), se chama Delegado Aranha (Jayme Periard). Seu assistente no porão da tortura é o inspetor Fritz (Enando Tiago).
O assunto é sério, o SBT criou enorme expectativa em torno da novela, mas o resultado é uma piada.
As novelas da Globo, que nos servem de referência, também são ruins. Em “Passione”, para citar um exemplo recente, havia uma mixórdia de gêneros -o pastelão farsesco, a trama policialesca, o drama social, o folhetim romântico- convivendo num mesmo enredo, obviamente desprovido de qualquer unidade dramatúrgica.
Esse Frankenstein estilístico é uma aspiração deliberada da novela global, uma fórmula com que a emissora busca atender às demandas de um público heterogêneo, que ela trata de massificar diante da tela.
“Amor e Revolução” é ruim em outro sentido. O SBT quis fazer um banquete, mas não domina a receita do suflê. Tudo é tecnicamente precário, mas não exatamente “pobre”. Temos uma superprodução “trash” -ou, talvez, uma “supertrash” produção.
A direção de atores nos remete àqueles dramalhões mexicanos. Os diálogos são postiços, ginasianos e involuntariamente cômicos -uma mistura de CPC (os centros culturais do catecismo socialista dos anos 60) com “A Praça É Nossa”.
Eis um exemplo: um casal de guerrilheiros veteranos está num sítio idílico, à beira da cachoeira. Jandira (Lúcia Veríssimo) se vira para Batistelli (Licurgo Spinola) e pergunta: “Você me trouxe aqui para fazer amor ou fazer a revolução?”. E ele: “Os dois. O amor cria tudo, a revolução muda tudo”. Os dois então se amam nas águas, na mesma toada da novela “Pantanal”.
Não é só. Falta a “Amor e Revolução” aquele mínimo de verossimilhança que a ficção com pretensões históricas deveria ter. A novela começa com uma chacina de estudantes que articulavam a guerrilha numa chácara. Os assassinos são Lobo, Aranha e sua turma. Mas tudo isso se passa antes do golpe de 31 de março de 1964.
Não havia, então, guerrilha no Brasil. A tortura contra adversários da ditadura só seria adotada pelo regime de modo sistemático depois do AI-5, em 1968. “Amor e Revolução” mistura tudo no liquidificador. Não presta como obra de ficção nem tem valia como documento histórico.
Restam, além das cenas abundantes de tortura, os depoimentos de personagens reais ao final de cada capítulo, como costuma fazer Manuel Carlos. É bom que o povo que gosta do programa do Ratinho conheça os horrores de que foi capaz a ditadura.
Na novela com intenções edificantes do SBT, porém, adular a atual presidente parece mais importante do que esclarecer as massas.
NA TV
Amor e Revolução
Novela de Tiago Santiago no SBT
QUANDO de seg. a sex., às 22h15
CLASSIFICAÇÃO 14 anos
AVALIAÇÃO ruim
—–
Há que rir, primeiro, é da “avaliação ruim” ao pé da matéria. Como se fosse possível que um jornal que ajudou a implantar a ditadura, e que foi seu instrumento, pudesse gostar de alguma maneira de uma novela denunciando essa mesma ditadura. Só podia avaliá-la como ruim, ora.
Barros e Silva, que em 1964 nem nascido era, confunde tudo. Acha que a extrema-direita só começou a atacar e torturar comunistas depois do AI-5. Por má fé ou ignorância, confunde a cena inicial da novela, em que um grupo de jovens se reúne em um sítio para sonhar com o socialismo, com a guerrilha de resistência à ditadura.
Dá vontade de rir quando o colunista chama de “maniqueísmo” mostrar o nível de criminalidade que envolvia os autores do golpe de 1964. Queria que o SBT apresentasse uma história em que os bandidos não fossem apresentados como tal, no mínimo.
E a parte da resenha que o totó do Otarinho faz sobre a novela que afirma que esta se destina a adular Dilma Rousseff, isso pertence à Coleção Folha de Fantasias, que tem “Best-Sellers” como Ficha Falsa da Dilma e Menino do MEP. Só esses palhaços acreditam – ou dizem que acreditam – que Dilma favoreceria Silvio Santos (de que maneira?) por conta de uma novela.
Todavia, a Folha atirou no que viu e acertou no que não viu. De fato há uma grave incongruência histórica na novela Amor e Revolução: a imprensa golpista, que teve papel crucial na instalação da ditadura e na tortura e assassinato de presos políticos, sumiu da trama.
Essa Folha… Quanta ingratidão. Deveria agradecer a Silvio Santos por esconder os crimes da imprensa golpista. Em vez disso, ataca o benfeitor com críticas que presumem que o leitor é tão idiota quanto o seu improvisado crítico-pistoleiro de plantão.

Buscado no Gilson Sampaio

Puxadinho - Outros depoimentos
SBT HD - Amor e Revolução - Depoimento #1 Maria Amélia Teles


SBT HD - Amor e Revolução - Depoimento #2 Jarbas Marques


SBT HD - Amor e Revolução - Depoimento #3 Rose Nogueira


SBT HD - Amor e Revolução - Depoimento #4 Sebastião Curió R. de Moura e Jarbas Passarinho


SBT HD - Amor e Revolução - Depoimento #5 Ivan Seixas