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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Jean Wyllys:A PALAVRA DOS MORTOS


Buscado no Gilson Sampaio 

 



     por JEAN WYLLYS  
Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras, mas há palavras que mil imagens não traduzem: preconceito é uma delas (este artigo contém uma imagem forte)
Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras, mas há palavras que mil imagens não traduzem: preconceito é uma delas. Ao contrário: as imagens, sejam quantas forem, podem reforçar aquilo a que se refere a palavra preconceito. Esta palavra também não pode ser traduzida por números nem estatísticas. Estes, porém, sempre atraem ou despertam palavras.
Ontem, por exemplo, no rastro da divulgação, nos principais portais de notícias, das estatísticas do Grupo Gay da Bahia acerca dos homicídios motivados por homofobia (o conjunto dos atos – inclusive dos atos linguísticos - apoiados no preconceito social anti-homossexual, um dos muitos preconceitos socialmente partilhados), vieram muitas palavras: a palavra dos leitores da notícia expressa em comentários publicados logo abaixo da mesma; a palavra dos intelectuais conservadores; as palavras dos políticos reacionários à esquerda e, principalmente, à direita; a palavra dos fundamentalistas cristãos católicos e evangélicos; e até a palavra de um famoso humorista que se diz "politicamente incorreto", mas que, ao fim e ao cabo, apenas põe seu "humor" a serviço da correção e da ortopedia moral que há séculos constrangem e estigmatizam, com violência verbal e/ou física, aqueles "desviantes" da ordem do macho-adulto-branco-heterossexual-e-cristão (ou seja, as mulheres, os negros, os judeus, os indígenas, o povo-de-santo, os gays, as lésbicas, as travestis e transexuais e as pessoas com deficiências; principalmente os mais pobres dentre esses).
Pode-se dizer que as palavras deles (dos leitores da notícia, dos intelectuais conservadores, dos políticos reacionários, dos fundamentalistas cristãos e do humorista) são quase as mesmas - com variações que dependem do grau de instrução e da posição social que cada um ocupa – e têm o mesmo objetivo: silenciar LGBTs e reprimir sua organização política por meio de interpretações deliberadamente equivocadas das estatísticas divulgadas e da conseguinte desqualificação das mesmas.
Não repetirei aqui todos "argumentos" dessa gente – até porque seu preconceito ou má fé não precisa de mais espaço do que já tem! – mas vou destacar um que é recorrente: a estatística de 336 homicídios em 2012 motivados por homofobia (numa proporção de um homossexual morto a cada 26 horas) seria irrelevante já que, no mesmo período, a taxa de homicídios em geral é de mais 50 mil. Ora, os porta-vozes desse "argumento" se não agem de má fé são limitados mesmo. As estatísticas não dizem apenas que 336 homossexuais morreram ano passado. As estatísticas dizem que 336 homicídios motivados por homofobia foram perpetrados em 2012 (o que representa um aumento de 26% em relação a 2011). Ou seja, 336 seres humanos foram assassinados em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero; foram mortos apenas porque eram gays, lésbicas, travestis e transexuais ou em circunstâncias em que sua orientação sexual e/ou identidade de gênero contribuiu/contribuíram decisivamente para o homicídio. Esses crimes não podem, portanto, ser dissolvidos nas taxas de homicídios em geral cujas motivações não são a orientação sexual nem a identidade de gênero.
Não conheço até o momento nenhum caso de homem que tenha sido cruelmente assassinado porque era heterossexual, ou seja, apenas pelo fato de que gostava de "comer mulher"; tampouco conheço um caso em que um homem tenha sido morto a pauladas por estar "vestido como homem". Mas posso citar centenas de casos de homens e mulheres que foram mortos apenas pelo fato de gostarem de transar com pessoas do mesmo sexo; e posso citar milhares de caso de pessoas que foram mortas apenas porque estavam vestidas de acordo com sua identidade de gênero. Esses crimes são considerados crimes de ódio porque vitima toda a comunidade à que pertence suas vítimas. Aliás, o fato de se pertencer a essa comunidade é a razão última do crime. Ora, será preciso desenhar para que essa gente entenda o que querem dizer as estatísticas?! Se uma imagem vale mais que mil palavras, talvez eu tente me aventurar pelo desenho pra ver se consigo sensibilizar esses caras (na hipótese de algum deles ser apenas equivocado e não estar agindo de má fé)...
E, por falar em imagem, a que ilustra este texto quer valer mais que as mil palavras não ditas pelo morto retratado. Perdoem-me os mais sensíveis, mas, numa sociedade devota da imagem como a nossa, "educada" pela televisão e pela publicidade, a foto chocante de um homicídio brutal motivado por homofobia talvez sensibilize mais as pessoas do que todas as palavras já ditas até aqui...

Travesti assassinada em Simões Filho, Bahia

Por mais que eu me esforce, não conseguirei expressar as palavras não ditas pelos mortos... Aquelas palavras que sucumbem aos números frios das estatísticas e à tagarelice dos canalhas insensíveis à desgraça alheia; palavras que expressariam o horror diante da crueldade que põe fim às vidas e a dor insuportável dos que perderam seus entes queridos para a violência.
Quem sabe se com essa imagem principalmente o humorista "politicamente incorreto" e sua claque cruel e sem pensamento mas de riso frouxo não percebam que não se pode fazer piada da dor dos outros? Sou um homem esperançado! Mas sou também um ativista: não fico apenas à espera de dias melhores, atuo para que eles cheguem logo; por isso mesmo, questionei e questiono os insensíveis e opressores, mesmo que isso implique em insultos impublicáveis e em injunções ao silêncio do tipo "você tem que trabalhar para o povo brasileiro e não para a sua classe" – injunções que nada mais são do que frutos da ignorância sobre o meu trabalho como parlamentar; da preguiça de se informar mais e melhor; da despolitização em geral e da falta de raciocínio lógico, uma vez que a minha "classe" pertence ao povo brasileiro.
De mais a mais, não vejo ninguém reclamar dos parlamentares ruralistas nem dos evangélicos por defenderem apenas seus interesses em casas legislativas; logo, ainda que eu atuasse para defender só os interesses de LGBTs (o que não é verdade; qualquer pesquisa básica mostrará isso), ainda assim eu estaria honrando o mandato que conquistei no jogo democrático. Não há insulto ou injunção ao silêncio que me detenha ou que me impeça de trazer, à luz, a palavra dos mortos!


domingo, 3 de julho de 2011

The bubble

Um filme que muda conceitos: The Bubble

Acabei de rever ao filme “The Babble”do diretor Eytan Fox . Confesso q a inspiração para rever o filme foi todo o contexto mundial atual e a própria situação da Palestina que nunca melhora só piora. Parece que não há esperanças frente à dominação econômica, cultural e bélica de Israel(EUA). Hoje chateada com o que li no jornal sobre a resolução da ONU em realizar sanções contra o Irã. E não parei de me perguntar por não impor sanções a Israel? Por que? Tanta barbárie aprovada pela ONU. Bem, voltando ao filme, ele não é necessariamente um filme político, mas conta a historia de 4 jovens, três israelenses e um palestino ( se bem q não deveria haver esta segregação na nacionalidade, mas...isso seria outra discussão. ) The bubble conta a historia de três amigos q vivem em Tel Aviv ( alienados dos conflitos políticos, até conhecerem Ashraf– um palestino q muda o curso da história de todos os personagens) com sonhos e a busca do amor. Neste caso bem peculiar, pois os protagonistas ( Noam e Ashraf)do filme são homossexuais.


O Filme

A primeira cena do filme já choca pela agressão. É uma tomada aberta em um Posto de Controle ( tipo um posto policial que existe para verificar, fiscalizar e humilhar palestinos), focando uma fila de palestinos com caras tristes, cansadas e indignadas, sendo obrigados a abrirem as malas, bolsas e até tirarem as suas roupas para a vistoria. Um dos soldados do Posto é Noam.

Noam conhece Ashraf nesta batida "policial". Eles se olham e a atração é inevitável, como se o amor sempre estivesse presente entre os dois. A cena seguinte é de uma mulher parindo na revista, a demora do socorro, denunciando toda a situação precária em que vivem os palestinos, sem direitos básicos: como saúde, educação e dignidade. O bebê nasce morto devido a demora no socorro médico e o fato provoca uma pequena manifestação dos palestinos, a qual logo é contida pelos soldados israelenses com tiros para cima demonstrando sua dominação bélica e tentando colocar os Palestinos em seu lugar. No caso em questão: Não ha lugar. E entre esse tumulto nasce o amor. Um amor impossível: entre dois homens, numa região conflituosa e cheia de preconceitos. Amor entre um israelense e um palestino. Troca de olhares para o nascimento do amor.

A cenas seguintes são do Noam retornando a Tel Aviv mostrando takes abertos de uma cidade moderna, rica constratando com periferia inexistente, bloqueada, isolada e privada de tudo. Ao som desta canção: http://www.youtube.com/watch?v=zwFS69nA-1w
Noam divide o apartamento com Lulu ( uma amiga q está a procura do amor) e Yali ( q também busca o amor). Os três jovens vivem bem e sem grandes conflitos internos, apenas com as questões cotidianas e ignoram completamente a situação dos palestinos. Realmente, é como se vivessem numa bolha, alheios de tudo. Afinal quanto menor o grau de conhecimento menor o sofrimento. E fica a pergunta: Quantos de nós não vivemos nessa bolha? Talvez seja mais fácil, né?

De repente, aparece o corajoso palestino que decide procurar Noam para lhe devolver a identidade . E assim iniciam um relacionamento afetivo. O filme também quebra alguns preconceitos e mostra que há muitos israelenses que não concordam com os absurdos praticados contra os palestinos, revela uma esquerda israelita, a qual eu nem tinha noção que existia. Quando Ashraf entra em suas vidas, os amigos começam a ter outros olhos para questões sociais, humanas e decidem participar de uma “Rave contra a ocupação” pousando nus para a foto de divulgação ( o cartaz do filme. O que mais me sensibiliza no filme é a amizade entre os quatro. Uma amizade sem tamanho. Capaz de tudo.


Ashraf começa a morar com Noam e vai trabalhar num café com Yaliu. Tudo vai bem, até que um dia, um ex-namorado de Lulu aparece no café e o reconhece, assustado e sem documentação para permanecer em Tel aviv, Ashraf foge de volta para Nablus( periferia ou assentamento palestino) Quando Noam descobre, quase morre de tanto sofrimento, o qual só é um pouco consolado pelo amor dos amigos ( Yuli e Lulu).
Mas, Asharaf decidi retornar a Tel Aviv para encontrar Noam na Rave contra a ocupação. O reencontro é lindo e me comoveu um tanto que até agora estou chorando. Porém, logo Asharaf precisa voltar pois sua irmã Hana se casará . No dia do casamento da Irma, Asharaf lhe revela que é gay, a moça não aceita, mas não deixa de amá-lo. Ele sofre, mas de certa forma se liberta.

Música belissima: ( só detalhe a trilha sonora do filme é perfeita, inclusive há canções da Bebel Gilberto e do magnifico Ivri Lider.
http://www.youtube.com/watch?v=5QZITNdBHxE

Um dia depois do casamento há um ataque a Nablus e a Irma de Asharaf morre baleada e ele decide se tornar homem bomba. Pois, percebe que nada mudará. A situação será sempre a mesma, portanto, cansado e sem esperanças a única decisão coerente parece se tornar suicida. Isto no filme fica claro, inclusive fica mais fácil de compreender tal decisão. A cena mais bonita e dramática do filme é a parte final, quando Ashraf vai a Tel Aviv para cumprir sua missão e reencontra Noam, e este decidi morrer junto com seu amor, pois entende que os dois naquele contexto é impossível. . O filme é belíssimo e vale muito ser visto, pois quebra paradigmas e nos faz entender muitas coisas e nos alivia de nós mesmos. Habi – meu amor ( árabe)

Texto de Dani Bueno do blog Entre o girasol e o espelho

domingo, 22 de maio de 2011

Pequeno manual de expressões LGBT

Encontrei este artigo no Contexto Livre e achei-o bastante interessante. De facto, não é só no Brasil que existe desconhecimento sobre este assunto. Por cá, são muitos os que não comprendem a distinção entre os termos utilizados pela comunidade LGBT, sendo comum o pensamento de que "vai dar tudo no mesmo". Mas a verdade é que são conceitos diferentes e é importante esclarecê-los. 

Tal como do outro lado do Atlântico, em Portugal, mesmo após a aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a discriminação e o preconceito continuam a existir. São muitos os factores que contribuem para isso e a ignorância é um deles.



Por João Márcio Dias


Decidi ensinar em poucas lições como redigir um texto sem ofender a comunidade LGBT e explicar o porque do uso destes termos. O objetivo desse post não é, em absoluto, ofender a classe jornalistica, mas elucidar algumas questões que ficam pendentes sobre os termos a serem utilizados. Assim como negros, judeus, mulheres e outras minorias pedem alterações de alguns termos para se sentirem contemplados (e hoje muitos deles foram aderidos), com o debate sobre os direitos LGBTs em polvorosa achei interessante pôr em pratos limpos algumas expressões para que nossos textos sejam mais coerentes com todos.

ORIENTAÇÃO SEXUAL, POR FAVOR.

Nunca usem o termo “opção sexual“. Ofende profundamente o movimento LGBT. Uma vez que não fazemos escolhas sobre nosso desejo sexual (ou alguém se lembra quando escolheu ser hetero?), o termo “opção” torna-se pejorativo quando falamos sobre lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. O termo correto para falar sobre sexualidade é “orientação sexual”, uma vez que desejo sexual nos orienta a essa ou aquela forma.

LGBT IS THE NEW GLS

Algumas pessoas ainda usam o termo “GLS”, datado da década de 70, quando não existia um questionamento mais profundo sobre os direitos homoafetivos. O termo LGBT contempla lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Outros preferem utilizar LGBTT para dar voz a travestis e transexuais separadamente e não @s aglomerando num grupo “transgênero”. A ordem L-G-B-T é em respeito ao movimento feminista, uma das bases do movimento LGBT, portanto, além de homenagear as mulheres que lutaram pelos seus direitos, a sigla L vem a frente por questões de visibilidade lésbica. E lembre-se: GLS pode ser usada apenas para fins comerciais, como lojas, hotéis, boates, bares e clubes chamados “gay friendly”. Em geral o termo tem caído em desuso, mas sua conotação hoje é muito mais comercial do que política.

HOMOSSEXUALIDADE SIM, HOMOSSEXUALISMO NUNCA.

Judeus lutaram por muito tempo para o desuso da palavra “judiar”, que era algo que tornava ofensivo para os praticantes de tal religião. O mesmo se aplica a expressão “homossexualismo”, que remete coisas terríveis aos LGBTs. O termo “homossexualismo” foi criado durante o nazismo para denotar que o comportamento pederasta era uma doença. Em 1990, quando a OMS retirou a homoafetividade do seu catálogo de doenças, entendendo que é uma expressão da sexualidade, passou-se a usar o termo “homossexualidade”, uma vez que todo ser humano tem uma sexualidade, sendo ela homo, hetero, bi, pan ou assexuada. Então, em respeito a todos os homossexuais que sofreram por conta do nazismo, abortou-se o sufixo “ismo” e adotou-se “homossexualidade”, ou “homoafetividade”, ou em outros casos, “homoerótico”.

TRAVESTIS E TRANSEXUAIS NÃO SÃO HOMOSSEXUAIS

Essa parte parece complicada, mas não é. A sexualidade humana não é dada pelo sexo biológico (aquele que você nasceu), mas pela identidade de gênero (como você se identifica sexualmente). Ou seja, se você nasceu homem, se identifica como homem e tem atração por mulheres, você é heterossexual. Se você é mulher, se identifica como mulher, mas sente atração sexual por outras mulheres, você é homossexual. No caso de uma travesti que nasceu homem, mas se identifica como mulher e tem atração por homens ela é considerada heterossexual. Como a identificação dela é feminina, então ela é hetero. Inclusive se você conversar com muitas travestis, elas não se identificam como gays, simplesmente por que não são. São mulheres que nasceram em corpos masculinos. Porém, se a travesti (nascida homem e com identidade de gênero feminina) se envolve afetivo/sexualmente com outra travesti ou uma mulher, aí sim ela é homossexual. Pode parecer impossível, mas sim, existem travestis e transexuais homossexuais.

O TRAVESTI E A TRAVESTI SÃO BEM DIFERENTES

Um ponto que fere profundamente o movimento transgenero é a questão do recorte de gênero, como elas e eles são tratad@s. Bem, se é uma travesti/transexual MTF (male to female, ou seja, nasceu homem e identifica-se como mulher), sempre a trataremos no feminino. A travesti Luisa Marilac, por exemplo. Ou a transexual Ariadna Arantes (para citar as mais recentes). Utilizamos o gênero masculino em casos de transgeneros FTM (female to male, tão logo, mulheres que se identificam como homens), como por exemplo o filho da cantora Cher. Por uma questão, primeiramente, de respeito, devemos utilizar o tratamento correto. É agressivo demais a uma travesti ser chamada pelo nome de registro e ser tratada o tempo todo no masculino. Causa constrangimento e tristeza.

HERMAFRODITAS NÃO EXISTEM

Muita gente exemplifica Roberta Close como hermafrodita. Péssima notícia: não existem hermafroditas na espécie humana. Para um animal ser considerado hermafrodita deve ter em sua estrutura tanto o sistema reprodutivo feminino quanto masculino. Exemplo disso são as minhocas. O mesmo se aplicaria a espécie humana. Até hoje não foi registrado nenhum caso parecido na literatura médica. O que existe em nossa espécie é a “intersexualidade”, ou seja, pessoas que nascem com os dois sexos, mas sem a capacidade reprodutiva de ambos. Normalmente são crianças com um micro-pênis e uma vulva formada. Porém não podemos determinar na hora do parto se é evidentemente um homem ou uma mulher, e registra-se a criança com um dos dois sexos e num futuro descobre-se, como no caso de Roberta Close, que houve um erro. A estrutura física, psicológica e emocional é toda voltada pro feminino e seu registo é masculino. Além disso, o micro-pênis (que em muitas vezes não é capaz de ficar ereto, devido aos hormonios femininos) incomoda profundamente a intersexual.

TRAVESTI É UMA COISA, TRANSEXUAL É OUTRA

Travestis e transexuais são diferentes. Travestis e transexuais têm em comum a inversão de identidade de gênero (sentem-se como o sexo oposto), mas apenas as transexuais tem ojeriza ao próprio órgão genital ou sofrem do distúrbio de identidade de gênero. Em geral as transexuais tem um processo de aceitação interna muito mais doloroso e para isso enfrentam todo o processo da mudança de sexo. As transexuais podem realizar a vaginoplastia para acabar com o pesadelo do corpo errado, enquanto as travestis não sentem-se incomodadas com o sexo que nasceram. Por conta dos problemas de aceitação, muitas transexuais cometem suicídio por se sentirem aprisionadas num corpo que não as pertence. A cirurgia de mudança de sexo feminino para masculino ainda é bastante experimental e de efeito meramente estético, enquanto a transexualização masculina para feminina é um procedimento relativamente comum e mantém estrutura complexa para que a transexual tenha prazer em suas relações futuras. Como qualquer outra cirurgia podem haver falhas e a operada não sentir mais prazer com a penetração, mas não é uma regra. Muitas transexuais sentem muito mais prazer após a cirurgia.

A PALAVRA É: HOMOFOBIA



A palavra está na moda, mas muita gente não sabe exatamente o que significa. Identifica-se como homofobia o tratamento hostil, agressivo, chulo, discriminatório, preconceituoso, antipático e/ou aversivo a homossexuais, bissexuais e transgêneros (esses, em alguns casos, pedindo o uso do termo transfobia, por não se sentirem contempladas no termo homofobia, como expliquei lá em cima sobre a identidade de gênero trans). Em suma, é o mesmo que o racismo, porém com LGBTs. Por isso o apelo ao fim da homofobia no Brasil e a aprovação de leis, como aquelas criadas em prol dos negros, para criminalização da homofobia. No Brasil a cada dois dias um homossexual é assassinado. Segundo levantamento feito em abril de 2011, 60% das empresas não gostariam de ter funcionários homossexuais em seu quadro. Em escolas de todo o país, mais da metade dos alunos dizem-se não ser favoravel a homossexuais e transgêneros dentro de salas de aulas. No Brasil mais de 90% dos transgêneros evadem das escolas por conta da transfobia. A homofobia, assim como o racismo, é uma forma de bullying ainda muito recorrente no Brasil. Não é considerado homofobia a pregação religiosa sobre a homossexualidade que algumas religiões praticam, porém, caso o discurso tenha cunho agressivo e incitação a violência, pode-se considerar homofobia. O projeto de lei complementar que criminaliza a homofobia no Brasil (PL 122), prevê que agressores de homossexuais poderão ser presos com penas de até 5 anos. O mesmo projeto de lei, revisitado recentemente, deixa bem claro que a liberdade religiosa não poderá ser afetada mediante tal projeto de lei.

Espero ter contribuído com todos para revisões e esclarecimentos. Acredito que muitos redatores e jornalistas usam os termos errados não por preconceito, mas por pura falta de conhecimento no assunto. Não é má vontade. É pura desorganização do movimento LGBT em deixar claras as questões que nos atingem.