sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Queremos ser normais ou bem comportados?


buscado no Gilson Sampaio  

Carta Capital via feicibuqui da Rachel Teixeira
Tivemos sorte por não ver visionários como Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula. Com dificuldade de aprendizado, seriam transformados em bons alunos, diagnosticados e medicados
Redação — última modificação 04/08/2014 17:53

Wikicommons

Einstein

Se medicado, Einstein seria um gênio?

“Foco” é a palavra de ordem nas escolas e no mercado de trabalho. Para vencer na vida, a dispersão de atenção para outros interesses além das tarefas do dia a dia é não apenas mal vista: é diagnosticável como um transtorno mental passível de cura. De acordo com uma ala da psiquiatria, essa ideia de “transtorno” parte de duas premissas. Uma é semântica. Ela suaviza a ideia de “doença mental” e passa a ser usada como uma espécie de identidade psíquica por meio de nomenclaturas como “TOC”, “TDAH”, “hiperatividade”, “bipolaridade”, “ansiedade” e “transtornos de humor”.
A outra dita que, por trás da desordem, existe uma ordem. Nesta ordem, o estudante estuda e o trabalhador trabalha. Em nome dela nos medicamos. Cada vez mais e, segundo especialistas, sem que sejam levados em conta os impactos, para as crianças e suas famílias, do diagnóstico e da medicação.
Quem analisa os índices de tratamento à base de drogas psicoativas imagina que o planeta enfrenta hoje uma “epidemia” de transtornos mentais. Nos EUA, uma em cada 76 pessoas são hoje consideradas incapacitadas por algum tipo de transtorno – em 1987, este índice era de uma em cada 184 americanos. O número de casos registrados aumentou 35 vezes desde então.
Segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 46% da população se enquadrariam nos critérios de doenças estabelecidos pela Associação Americana de Psiquiatria. Tais diagnósticos criaram um mercado poderoso de medicamentos psicoativos – o que significa medicar tanto pacientes com crises agudas de ansiedade até crianças diagnosticada com grau leve de “hiperatividade” ou “espectro de autismo”, a chamada síndrome de Asperger. Essas crianças precisam manter o “foco” na sala de aula se quiserem ter alguma chance de passar no vestibular.
A pressão sobre elas em um mundo cada vez mais competitivo cria um consumidor fidelizado: a criança que hoje precisa de medicamento para se manter em alerta será, no futuro, o adulto dependente de medicamentos para dormir. Essa pressão, apontam estudos, tem origem na sala de aula, passa pela sala da direção, chega aos pais como advertência e desemboca na sala do psiquiatra, incumbido da missão de enquadrar o sujeito a uma vida sem desordem.
Mas como cada categoria de transtorno mental é construída e delimitada? Quais pressupostos fazem com que determinados comportamentos e/ou estados emocionais sejam considerados normais e outros, não? Quem definiu que uma criança com foco na sala de aula é normal e uma desconcentrada é anormal? Qual é, enfim, a “ordem” que a prática psiquiátrica visa a garantir?
Essas questões serão temas de debates em um ciclo de encontros do Café Filosófico CPFL, sob curadoria do professor livre-docente em Psicopatologia do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira, a partir de 8 de agosto. As palestras serão gravadas todas as sextas-feiras ao longo do mês, às 19h, e os interessados de todo o País podem acompanhar as gravações e enviar perguntas ao vivo pelo portal. Além de Costa Pereira, participam do módulo o psiquiatra infanto-juvenil e professor da Uerj Rossano Cabral Lima, o professor da Universidade da Califórnia Naomar Almeida Filho e o psiquiatra da infância e adolescência e consultor do Ministério da Saúde Fernando Ramos.
Se for esta a normalidade que tanto buscamos, o mundo teve sorte por não ver visionários como Bill Gates, Einstein, Newton e Beethoven em uma sala de aula nos dias atuais. Todos eles tinham dificuldade em socialização, comunicação e aprendizado. Sofriam, em algum grau, de espectro de autismo, e seriam facilmente transformados em bons alunos, diagnosticados, tratados e medicados. O mundo perderia quatro gênios, mas ganharia excelentes funcionários-padrão, contentes e domesticados.




Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro

 

buscado no GilsonSampaio
Não bastando a televisão, vieram o zap zap, ipod, ipud, ephoda e, agora, a ritalina.
via feicibuqui da Rachel Teixeira
Leticia Fernandes
 
Ritalina, a droga legal que ameaça o futuro
“Com efeito comparável ao da cocaína, droga é receitada a crianças questionadoras e livres. Podemos abortar projetos de mundo diferentes…
É uma situação comum. A criança dá trabalho, questiona muito, viaja nas suas fantasias, se desliga da realidade. Os pais se incomodam e levam ao médico, um psiquiatra talvez.  Ele não hesita: o diagnóstico é déficit de atenção (ou Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH) e indica ritalina para a criança.
O medicamento é uma bomba. Da família das anfetaminas, a ritalina, ou metilfenidato, tem o mesmo mecanismo de qualquer estimulante, inclusive a cocaína, aumentando a concentração de dopamina nas sinapses. A criança “sossega”: pára de viajar, de questionar e tem o comportamento zombie like, como a própria medicina define. Ou seja, vira zumbi — um robozinho sem emoções. É um alívio para os pais, claro, e também para os médicos. Por esse motivo a droga tem sido indicada indiscriminadamente nos consultórios da vida. A ponto de o Brasil ser o segundo país que mais consome ritalina no mundo, só perdendo para os EUA.
A situação é tão grave que inspirou a pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, professora titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a fazer uma declaração bombástica: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”, disse ela em entrevista ao  Portal Unicamp. “Quem está sendo medicado são as crianças questionadoras, que não se submetem facilmente às regras, e aquelas que sonham, têm fantasias, utopias e que ‘viajam’. Com isso, o que está se abortando? São os questionamentos e as utopias. Só vivemos hoje num mundo diferente de mil  anos atrás porque muita gente questionou, sonhou e lutou por um mundo diferente e pelas utopias. Estamos dificultando, senão impedindo, a construção de futuros diferentes e mundos diferentes. E isso é terrível”, diz ela.
O fato, no entanto, é que o uso da ritalina reflete muito mais um problema cultural e social do que médico. A vida contemporânea, que envolve pais e mães num turbilhão de exigências profissionais, sociais e financeiras, não deixa espaço para a livre manifestação das crianças. Elas viram um problema até que cresçam. É preciso colocá-las na escola logo no primeiro ano de vida, preencher seus horários com “atividades”, diminuir ao máximo o tempo ocioso, e compensar de alguma forma a lacuna provocada pela ausência de espaços sociais e públicos. Já não há mais a rua para a criança conviver e exercer sua “criancice.
E se nada disso funcionar, a solução é enfiar ritalina goela abaixo. “Isso não quer dizer que a família seja culpada. É preciso orientá-la a lidar com essa criança. Fala-se muito que, se a criança não for tratada, vai se tornar uma dependente química ou delinquente. Nenhum dado permite dizer isso. Então não tem comprovação de que funciona. Ao contrário: não funciona. E o que está acontecendo é que o diagnóstico de TDAH está sendo feito em uma porcentagem muito grande de crianças, de forma indiscriminada”, diz a médica.
Mas os problemas não param por aí. A ritalina foi retirada do mercado recentemente, num movimento deespeculação comum, normalmente atribuído ao interesse por aumentar o preço da medicação. E como é uma droga química que provoca dependência, as consequências foram dramáticas. “As famílias ficaram muito preocupadas e entraram em pânico, com medo de que os filhos ficassem sem esse fornecimento”, diz a médica. “Se a criança já desenvolveu dependência química, ela pode enfrentar a crise de abstinência. Também pode apresentar surtos de insônia, sonolência, piora na atenção e na cognição, surtos psicóticos, alucinações e correm o risco de cometer até o suicídio. São dados registrados no Food and Drug Administration (FDA)”.
Enquanto isso, a ritalina também entra no mercado dos jovens e das baladas. A medicação inibe o apetite e, portanto, promove emagrecimento. Além disso, oferece o efeito “estou podendo” — ou seja, dá a sensação de raciocínio rápido, capacidade de fazer várias atividades ao mesmo tempo, muito animação e estímulo sexual — ou, pelo menos, a impressão disso. “Não há ressaca ou qualquer efeito no dia seguinte e nem é preciso beber para ficar loucaça”, diz uma usuária da droga nas suas incursões noturnas às baladas de São Paulo. “Eu tomo logo umas duas e saio causando, beijando todo mundo, dançando o tempo todo, curtindo mesmo”, diz ela.

Bola de Meia, Bola de Gude

Milton Nascimento

Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto balança
Ele vem pra me dar a mão
Há um passado no meu presente
Um sol bem quente lá no meu quintal
Toda vez que a bruxa me assombra
O menino me dá a mão
E me fala de coisas bonitas
Que eu acredito
Que não deixarão de existir
Amizade, palavra, respeito
Caráter, bondade alegria e amor
Pois não posso
Não devo
Não quero
Viver como toda essa gente
Insiste em viver
E não posso aceitar sossegado
Qualquer sacanagem ser coisa normal
Bola de meia, bola de gude
O solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança
O menino me dá a mão
Há um menino
Há um moleque
Morando sempre no meu coração
Toda vez que o adulto fraqueja
Ele vem pra me dar a mão 


sábado, 29 de novembro de 2014

Dívida Pública Brasileira: a soberania na corda bamba

 

buscado no Brasil de Fato


Reprodução
Documentário reúne opiniões de economistas, sindicalistas e professores sobre o impasse econômico; a versão completa está disponível no Youtube
09/09/2014

Da Redação,
A dívida total brasileira no ano de 2013 chegou ao valor aproximado de R$ 4 trilhões; o pagamento de juros e amortizações alcançou R$ 718 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 2 bilhões por dia. Tudo isso representa um desembolso anual de cerca de 40% do orçamento da nação.

Essas e outras questões são temas abordados no documentário “Dívida Pública Brasileira: a soberania na corda bamba”, de Carlos Pronzato. O filme reúne diversas opiniões de economistas, sindicalistas e professores e tem a pretensão de contribuir na conscientização do povo brasileiro sobre o assunto da dívida pública.
“A sociedade brasileira tem vários problemas estruturais que impedem a melhoria das condições de vida do povo, um deles é a chamada Dívida Pública Interna”, João Pedro Stédile, economista e da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “O tema da taxa de juros e o tema do superávit primário precisa ganhar as ruas para que a população tenha conhecimento”, complementa.
Para pagar apenas os juros da dívida os governos têm cortado repasses para setores de necessidades básicas da população como transporte, saúde e educação. Segundo Eulália Alvarenga, economista e coordenadora do núcleo MG da Auditoria Cidadã da Dívida: “a dívida interessa a todos e é de responsabilidade nossa exigir que seja auditada. Que a gente pague a dívida, mas se for legal e legítima, e que ela não seja uma dívida de espoliação do povo”.
Ditadura
A dívida pública federal começou na época da ditadura militar com o empréstimo de dinheiro dos Estados Unidos a juros flutuantes, que chegou a elevar os juros de 5% para 23%. Mesmo sendo considerada ação criminosa pela Convenção de Viena de 1969, o governo da ditadura aceitou a situação dos juros flutuantes imposta pelos EUA, o que interfere na pauta econômica do país até hoje.
A produção do documentário é feita pelo Instituto Rede Democrática-RJ, Núcleo RJ da Auditoria Cidadã da Dívida Publica e Sindipetro-RJ. A versão completa está disponível no Youtube




domingo, 23 de novembro de 2014

TODOS SOLTOS!







TODOS SOLTOS

TODOS SOLTOS!
O jornalista, escritor e colunista da Folha de São Paulo, Elio Gaspari, publicou um artigo neste jornal no último domingo (19), em que faz um inventário dos casos de corrupção durante o governo FHC, envolvendo diretamente os tucanos. o Artigo de Gaspari é uma contribuição importante para a memória nacional e para a desmistificação do falso moralismo tucano. Por isso acreditamos que o PSDB não é alternativa para combater a corrupção no Brasil. O que precisamos de fato é de pressão social por uma reforma política democrática, que acabe com o financiamento privado de campanha e estabeleça regras capazes de ampliar a participação e a fiscalização popular, única forma de se garantir uma política com ética e transparência.
Segue o artigo na íntegra.

Elio Gaspari - Folha de São Paulo 19/10/2014

Todos soltos, todos soltos, até hoje
Nos debates medíocres da TV Bandeirantes e do SBT, em que Dilma Rousseff parecia disputar a Presidência com Fernando Henrique Cardoso e Aécio Neves parecia lutar por um novo mandato em Minas Gerais, houve um momento estimulante. Foram as saraivadas de cinco "todos soltos" desferida pela doutora.
Discutia-se a corrupção do aparelho petista e ela arrolou cinco escândalos tucanos: "Caso Sivam", "Pasta Rosa", "Compra de votos para a reeleição de FHC", "Mensalão tucano mineiro" e "Compra de trens em São Paulo". A cada um, ela perguntava onde estavam os responsáveis e respondia: "Todos soltos". Faltou dizer: todos soltos, até hoje.
Não foi Dilma quem botou a bancada da Papuda na cadeia, foi a Justiça. Lula e o comissariado petista deram toda a solidariedade possível aos companheiros, inclusive aos que se declararam "presos políticos". Aécio também nada tem a ver com o fato de os tucanos dos cinco escândalos estarem soltos. Eles receberam essa graça porque o Ministério Público e o Judiciário não conseguiram colocar-lhes as algemas. O tucanato deu-lhes graus variáveis de solidariedade e silêncio.
Pela linha de argumentação dos dois candidatos, é falta de educação falar dos males petistas para Dilma ou dos tucanos para Aécio. Triste conclusão: quando mencionam casos específicos, os dois têm razão. A boa notícia é que ambos prometem mudar essa escrita.
A doutora Dilma listou os cinco escândalos tucanos, todos do século passado, impunes até hoje. Vale relembrá-los.
CASO SIVAM
Em 1993 (governo Itamar Franco), escolheu-se a empresa americana Raytheon para montar um sistema de vigilância no espaço aéreo da Amazônia. Coisa de US$ 1,7 bilhão, sem concorrência. Dois anos depois (governo FHC), o "New York Times" publicou que, segundo os serviços de informações americanos, rolaram propinas no negócio. Diretores da Thomson, que perdera a disputa, diziam que a gorjeta ficara em US$ 30 milhões. Tudo poderia ser briga de concorrentes, até que um tucano grampeou um assessor de FHC e flagrou-o dizendo que o projeto precisava de uma "prensa" para andar. Relatando uma conversa com um senador, afirmou que ele sabia "quem levou dinheiro, quanto levou".
O tucano grampeado voou para a Embaixada do Brasil no México, o grampeador migrou para o governo de São Paulo e o ministro da Aeronáutica perdeu o cargo. Só. FHC classificou o noticiário sobre o assunto como "espalhafatoso".
PASTA ROSA
Em agosto de 1995, FHC fechou o banco Econômico. Estava quebrado e pertencia a Ângelo Calmon de Sá, um príncipe da banca e ex-ministro da Indústria e Comércio. Numa salinha do gabinete do doutor, a equipe do Banco Central que assumiu o Econômico encontrou quatro pastas, uma da quais era rosa. Nelas estava a documentação do ervanário que a banca aspergira nas eleições de 1986, 1990 e 1994. Tudo direitinho: 59 nomes de deputados, 15 de senadores e 10 de governadores, com notas fiscais, cópias de cheques e quantias. Serviço de banqueiro meticuloso. Havia um ranking com as cotações dos beneficiados e alguns ganharam breves verbetes. No caso de um deputado, registravam 43 transações, 12 com cheques.
Nos três pleitos, esse pedaço da banca deve ter queimado mais de US$ 10 milhões. A papelada tornara-se uma batata quente nas mãos da cúpula do Banco Central. De novo, foi usada numa briga de tucanos e deu-se um vazamento seletivo. Quando se percebeu que o conjunto da obra escapara ao controle, o assunto começou a ser esquecido. FHC informou que os responsáveis pela exposição pagariam na forma da lei: "Se for cargo de confiança, perdeu o cargo na hora; se for cargo administrativo, será punido administrativamente". Para felicidade da banca, deu em nada.
COMPRA DE VOTOS PARA A REELEIÇÃO DE FHC
Em maio de 1997, os deputados Ronivon Santiago e João Maia revelaram que cada um deles recebera R$ 200 mil para votar a favor da emenda constitucional que criou o instituto da reeleição dos presidentes e governadores. Ronivon e Maia elegiam-se pelo Acre e pertenciam ao PFL, hoje DEM. Foram expulsos do partido e renunciaram aos mandatos. Ronivon voltou à Câmara em 2002. De onde vinha o dinheiro, até hoje não se sabe.
MENSALÃO TUCANO MINEIRO
Em 1998, Eduardo Azeredo perdeu para o ex-presidente Itamar Franco a disputa em que tentava se reeleger governador de Minas Gerais. Quatro anos depois, elegeu-se senador e tornou-se presidente do PSDB. Em 2005, quando já estourara o caso do mensalão petista, o nome de Azeredo caiu na roda das mágicas de Marcos Valério. Quatro anos antes de operar para o comissariado, ele dava contratos firmados com o governo de Azeredo como garantia para empréstimos junto ao banco Rural (o mesmo que seria usado pelos comissários.) O dinheiro ia para candidatos da coligação de Azeredo. O PSDB blindou o senador, abraçou a tese do "caixa dois" e manteve-o na presidência do partido durante três meses.
Quando perdeu a solidariedade de FHC, Azeredo disse que, durante a disputa de 1998, ele "teve comitês bancados pela minha campanha". Em fevereiro passado, o Supremo Tribunal Federal aceitou a denúncia do procurador-geral contra Azeredo e ele renunciou ao mandato de deputado federal (sempre pelo PSDB). Com isso, conseguiu que o processo recomeçasse na primeira instância, em Minas Gerais. Está lá.
COMPRA DE TRENS EM SP
Assim como o caso Sivam, o fio da meada da corrupção para a venda de equipamentos ao governo paulista foi puxado no exterior. O "Wall Street Journal" noticiou em 2008 que a empresa Alstom, francesa, molhara mãos de brasileiros em contratos fechados entre 1995 e 2003. Coisa de US$ 32 milhões, para começar. O Judiciário suíço investigava a Alstom e tinha listas com nomes e endereços de pessoas beneficiadas. Um diretor da filial brasileira foi preso e solto. Outro, na Suíça, também foi preso e colaborou com as autoridades.
Um aspecto interessante desse caso está no fato de que a investigação corria na Suíça, mas andava devagar em São Paulo. Outras maracutaias, envolvendo hierarcas da Indonésia e de Zâmbia, resultaram em punições. Há um ano a empresa alemã Siemens, que participava de consórcios com a Alstom, começou a colaborar com as autoridades brasileiras e expôs o cartel de fornecedores que azeitava contratos com propinas que chegavam a 8,5%.
Em 2008, surgiu o nome de Robson Marinho, chefe da Casa Civil do governo de São Paulo entre 1995 e 2001, nomeado ministro do Tribunal de Contas do Estado. Em março passado, os suíços bloquearam uma conta do doutor num banco local, com saldo de US$ 1,1 milhão. Ele nega ser o dono da arca, pela qual passaram US$ 2,7 milhões. (Marinho tem uma ilha em Paraty.) O Ministério Público de São Paulo já denunciou 30 pessoas e 12 empresas. Como diz a doutora, "todos soltos".


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sistema livre



por Jader Resende

Pra suavizar um pouco esse pesado clima de políticas presumidamente confiáveis, nada como falar sobre sistema livre.
Que não podemos trabalhar livremente nossas ideias nem mesmo questioná-las, isso todos sabem.
Somos seguidamente interpretados pela lei do lucro imediato e mais fácil, somos sufocados pelas manipulações dos poderosos ou dos que vivem a sombra deles.
É fundamental expor a prisão em que vivemos. Sentimos na pele a dominação total dos nossos passos e pensamentos.
Viver numa sociedade onde a dignidade alheia vale muito pouco, podemos sim, cuidar do outro, agora e para o futuro. A educação dos jovens poderá fazer brilhar lampejos de luz em gerações futuras.
Arquivo livre é viável, única arma de defesa da nossa vulnerabilidade diante do sistema proprietários, pelo menos é a única alternativa.
Uma empresa 100% proprietária, quando usada seja para qual fim for, será dominada pelo proprietário, ele estipula sem consideração ao mercado o seu preço e ponto final.
O controle do mercado como podem constatar, pode ser feito através da incompatibilidade intencional dos sistemas operacionais, dos milhares de supostos programas gratuitos que na verdade ao pouco alicia e escraviza todos nós, lentamente amarra este mundo binário a seu modo. Esta incompatibilidade pode provocar o desaparecimento da nossa história.
O arquivamento de toda história estará sequestrado em mãos de quem não conseguimos imaginar.
Enfim, tudo é gravado em sistemas, nossos movimentos e documentos estão lá, quando um proprietário resolver não aceitar sistemas passados ou de concorrentes que há muito não existem. Como ficara todo passado ali gravado? Acredito que nenhum governo terá forças para impor a História do seu povo, se por acaso até lá existir.
Quem nunca ouviu esta frase. “Não tenho culpa é o sistema", "O sistema caiu” ou “O sistema só liberou 2 vagas”.
Vamos imaginar uma pessoa a espera de um avião para uma planejada e longa viajem. No aeroporto resolve fazer uma transação bancaria, perto do fim, cai o sistema, seus documentos ficam retidos, não tem como terminar, cancelar ou ter seu cartão de volta, sem ele não pode viajar, é obrigado a esperar e só muito horas depois volta ao ar e uma trabalheira surge para remarcar a viajem e seus planos, isto se for a recreio do contrario nem é bom falar...
Comemos, dormimos, cuidamos da saúde, lemos, ouvimos musicas e nos divertimos somente o que determina o poder, pouco ou nada podemos questionar e podemos perder nosso passado e nossas tradições.
Tudo não passa de manipulação e domínio. Enfim, tudo na internet e principalmente sistemas e programas estão atrelado ao poder econômico.
Quem controla os sistemas proprietários, tem nas mãos a indústria, engenharia e meio mundo de operários, é muito dinheiro e poder rolando pra um só lugar.
É de grande importância o conhecimento do sistema livre no aprendizado dos jovens nesta geringonça chamada computador e seus programas. Através da educação pode-se fornecer elementos para reforçar os valores sociais e a liberdade de criação, não só agora como no futuro.
Temos em comum um grande inimigo e ele se chama poder econômico e pouco pode-se fazer a não ser conhecer as entrelinhas do sistema de domínio, ter consciência do que acontece a nossa volta e tentar levar para gerações futuras conhecimentos transmitidos através da importância dos códigos e do sistema livre.
Mesmo com toda essa parafernália logaritima, a realidade de Matrix pairando sobre as nuvens e 1984 chegando sorrateiramente, continuamos a ver gerações desvalorizando a cultura e uma rica fonte de conhecimentos livres.
Devemos lutar contra a ignorância, principal requisito imposto pelo poder aos 99%.  Sentimos no dia a dia a destruição da cultura e do conhecimento pela imposição da ignorância.
A arte imita a vida e vida imita a arte, assim vamos levando nosso presente.
Acredito que em 2006 Mel Gibson realizou o filme “Apocalipse”.
Retrata a decadência e os últimos dias da civilização Maia antes da chegada dos espanhóis.
Os sacerdotes e governantes supremos dos Maias, donos da vida e da morte de um povo, dominavam a ciência entre outras artes e sabedores da eclipse fazem sacrifícios humanos para acalmar os deuses e manter o povo sob domínio do medo e da ignorância.
Em nome dos deuses, impôs centenas de sacrificados que duraram dias e noites antes da eclipse.
Terminada a eclipse o sol volta a brilhar como prometera os sacerdotes, quando o caçador de pessoas para serem sacrificados pergunta ao pé de ouvido do sacerdote chefe.
— E agora o que eu faço com o restante de presos e ele responde.
— Não precisamos mais deles. Leve para a floreta e mate como quiser.
O medo e ignorância do povo foi e ainda é forma de domínio
O final do filme leva também a dominação através da ignorância.
Os maias esperavam os deuses chegar na terra trazendo uma nova vida para todos e a chegada dos espanhóis era para eles a chegada dos deuses em forma de homens. Ai, começa a extinção do povo Maia e termina o filme.
É muito triste a sensação de impotência diante das gerações perdidas que nós rodeia diariamente, terrivelmente vulneráveis diante da força bruta em nome de uma suposta segurança, como os sacerdotes quando se dirigem ao povo depois do s sacrifícios;
 —Com estes sacrifícios acalmei os deuses e fiz voltar a luz dos sol, vocês agora podem voltar com segurança para seus afazeres. Não existe segurança alguma a não ser manipulações para impor obediência e servidão.
O sistema livre não vingou ainda, esta em faze difícil diante do estrangulamento econômico, deixa um bom legado para gerações. Não custa conhecê-lo, dominá-lo e entender melhor o mundo computadorizados a nossa volta.
Pouco pode fazer os migrantes tatuados pela natureza com o poder do código livre.
O poder esta nas mãos jovem, precisam dominar o sistema Livre.


Jader Resende