segunda-feira, 4 de julho de 2016



A expressão social da forma de viver do outro.











Por Jader Resende



Por longo tempo caminhamos sobre sangue de muitas mortes, podemos ver nas metrópoles ou mesmo no campo a face mais perversa da desigualdade social sobre os sem propriedade e sem futuro.



Atravessamos séculos sem mudanças significativas, vestígios dos séculos XVI, XVII e XVIII quando se intensificou a perseguição latifundiária sobre nativos, índios e escravos; causando mortes, destruição e transformando os sobreviventes nos primeiros párias sociais. A colonização desde o sec. XVI vem continuadamente fazendo excluídos de tudo, sem opções; criam formas de sobrevivência em assentamentos ilegais, áreas de risco, favelas; beira de rios transformados em esgotos a céu aberto, terrenos alagadiços e lixões. Na sua grande maioria formada por afros descendentes.



A posse de bens materiais e territoriais, o “possuir”, um dos; talvez o único motivo que levou reinados a financiar invasão de terras indígenas. Ainda se faz presente na luta pela posse da terra e a riqueza que ela contem. Ter e possuir sempre prevaleceu entre os homens e se fortaleceu na revolução industrial, dando inicio ao que poderá ser a destruição da felicidade na terra.



Desde os confins da história a felicidade é vista como manifestação da razão ou da fé. Diante de forças dominadoras pode até ser manipulada ou proibida. O regresso ao colonialismo através do adestramento cultural e aliciamento constante na tentativa de impedir o outro de pensar é atrofiamento da felicidade. A felicidade esta diretamente ligada a justiça social e não ao acumulo desnecessário de consumo. De nada adiante incriminar a cidadania relegada a impotência diante de poderosas persuasões conduzindo ao consumo, a responsabilidade política parte de um modelo de sustentabilidade da natureza e preservação da felicidade do outro.



O nascimento da vida é a mais poderosa manifestação da felicidade em todo e qualquer canto do mundo em qualquer circunstância.  A procriação dentro das senzalas refletiu o verdadeiro sentido da felicidade, tornando-se um poder de transformação e luta na preservação das tradições, costumes, fé e história; deixando um legado importantíssimo para a nossa felicidade.



O crescimento demográfico do outro, também como manifestação da felicidade, criara poder de mudar esta segregação crescente e desumana.



Sem inclusão social, crescimento econômico honesto e respeito à capacidade da natureza de ser feliz, caminharemos para uma ruptura entre a meritocracia branca e letrada numa sociedade de analfabetos funcionais e mundo privatizado.



A vida segue apressadamente para uma sociedade elitista dentro de fortalezas com segurança privada e armada. Fora dos muros sorrateiramente perdemos nossa capacidade de sentir diante de drogados, doentes, pedintes e moradores de rua. Passamos a considerar normal a insensibilidade da raça humana diante de tamanha desigualdade social promovida pelo lucro fácil e ganancioso de pequena parcela de humanos que não enxergam a felicidade como manifestação da natureza.



A responsabilidade sobre excluídos sociais; “os outros”, deveria partir para a consolidação de leis significativas, profundas, abrangente, seguras e definitivas, como estratégia de guerra contra a ganância e a barbárie. Colocando nossas riquezas naturais para beneficiar a todos, garantindo o presente e futuro da felicidade.



Impossíveis leis socialmente justas e definitivas, dizem. Criadas em países ricos, colonizadores e fora da realidade espiritual dos povos invadidos; ignorando seus costumes, cultura, tradições e principalmente não reconhecendo a sua felicidade.



O outro; sem presente e sem futuro, sempre foi tema comovente e dramático, expressado com calor demagógico na retórica de muitos. A sua forma de viver é também uma barbárie contra a natureza.



A segregação é um caminho muito além da colonização, talvez; chegaremos à destruição da vida na terra.



Como bem define, Neddo Sandro Marcello Zecca. Consultor de bicombustíveis. Abordando energia.



“Não estou dizendo que vamos voltar à idade média. Estou dizendo que vamos ter sorte se não voltarmos à idade da pedra”.



A redefinição da felicidade como o maior bem da natureza é uma mudança de paradigma. A qualidade de vida do outro se torna impossível diante do progresso de consumo de bens não essenciais fomentando a concentração de riquezas.



O nascimento do outro também é a mais pura manifestação de felicidade da natureza.