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quinta-feira, 28 de agosto de 2014

NILDA CARVALHO CUNHA. PARA NÃO ESQUECER JAMAIS!



História de NILDA CARVALHO CUNHA

 buscado no blog do Carlos Leen




 

Data e local de nascimento: 05/07/1954, Feira de Santana (BA)
Filiação: Esmeraldina Carvalho Cunha e Tibúrcio Alves Cunha Filho
Organização política ou atividade: MR-8
Data e local da morte: 14/11/1971, em Salvador
Nilda Carvalho Cunha foi presa na madrugada de 19 para 20 de agosto de 1971, no cerco montado ao apartamento onde morreu Iara Iavelberg. Foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador. Sua prisão é confirmada no relatório da Operação Pajuçara, desencadeada para capturar ou eliminar Lamarca e seu grupo. Foi liberada no início de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas e morreu no dia 14 de novembro, com sintomas de cegueira e asfixia. Nilda tinha acabado de completar 17 anos quando foi presa. Fazia o curso secundário e trabalhava como bancária quando passou a militar no MR-8 e viver com Jaileno Sampaio.
Foram eles que abrigaram Iara Iavelberg em seu apartamento, durante sua estada em Salvador. Emiliano José e Oldack Miranda relatam no livro Lamarca, o capitão da guerrilha, levado ao cinema por Sérgio Rezende, um pouco do que Nilda contou de sua prisão:
“(...) Você já ouviu falar de Fleury? Nilda empalideceu, perdia o controle diante daquele homem corpuloso. - Olha, minha filha, você vai cantar na minha mão, porque passarinhos mais velhos já cantaram. Não é você que vai ficar calada (...). Dos que foram presos no apartamento do Edifício Santa Terezinha, apenas Nilda Cunha e Jaileno Sampaio ficaram no Quartel do Barbalho. Ela, aos 17 anos, ele, com 18. - Mas eu não sei quem é o senhor... – Eu matei Marighella. Ela entendeu e foi perdendo o controle.
Ele completava: – Vou acabar com essa sua beleza – e alisava o rosto dela. Ali estava começando o suplício de Nilda. Eram ameaças seguidas, principalmente as do Major Nilton de Albuquerque Cerqueira. Ela ouvia gritos dos torturados, do próprio Jaileno, seu companheiro, e se aterrorizava com aquela ameaça de violência num lugar deserto. Naquele mesmo dia vendaram-lhe os olhos e ela se viu numa sala diferente quando pode abri-los. Bem junto dela estava um cadáver de mulher: era Iara, com uma mancha roxa no peito, e a obrigaram a tocar naquele corpo frio.
 


Puxadinho do Jader 
Comentário publicado no blog do Carlos Lenn que merece destaque
Leonia Cunha disse...
NILDA CARVALHO CUNHA, meiga e linda em toda a sua curta vida ceifada de forma cruel por monstros, torturadores. Não se fez ainda JUSTIÇA a grande REVOLUCIONARIA que foi e a nossa mãe ESMERALDINA CARVALHO CUNHA.
Vivem cotidianamente na minha lembrança, assim como a sede de JUSTIÇA em meu coração.
Leonia Cunha


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

“Não vai ter verdade!”

buscado no Gilson Sampaio 

 




Edson Teles.

Em meio às emoções e protestos durante a Copa do Mundo de futebol no país, as Forças Armadas, por meio do Ministério da Defesa, deram publicidade aos seus relatórios de sindicância sobre as práticas de violações de direitos humanos em suas dependências durante a ditadura militar. O documento atende a uma solicitação feita pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), instituição que apurou e confirmou as violações cometidas pelas Forças Armadas e solicitou a investigação dos documentos e com os agentes militares envolvidos nos fatos. Nos relatórios afirma-se que não foram encontrados registros formais “que permitam comprovar ou mesmo caracterizar o uso das instalações dessas Organizações Militares para fins diferentes dos que lhes tenham sido prescritos”, não permitindo “corroborar a tese apresentada por aquela Comissão [a CNV] de que tenha ocorrido desvio formal de finalidade”, ou seja, que tenham sido usadas como centro de tortura, assassinato e desaparecimento.
Não estivéssemos em pleno século XXI, ao fim do quinto mandato de um presidente civil, todos exercidos por ex-vítimas da ditadura, poderíamos passar pouco estarrecimento por esta informação. Ou ainda, se vivêssemos em meio a um processo de transição, o que historicamente e de acordo com as políticas globais de construção de um novo regime democrático pode exigir negociações e silenciamentos, talvez a notícia pudesse ser considerada até um modo de chamar a atenção para a questão sem contudo colocar em risco a governabilidade. Poderíamos até mesmo lamentar a falta de correlação de forças políticas no governo, o que nos impediria de exigir mais do Estado.
Mas não. O projeto de democracia instituído no país a partir da nova constituição de 1988 e da primeira eleição para um presidente civil em 1989, eventos seguidos por sucessões de passos formais de um Estado de Direito, coloca a chegada deste relatório infame num campo de lutas políticas em torno de qual democracia queremos. Sim, infame, por conter um conteúdo que beira a provocação com os caminhos de uma democracia, afirmando, como consta do relatório da Marinha, que os presos teriam sido bem tratados, de modo “bastante aceitável”. É “aceitável” torturar e assassinar pessoas que discordem do governo?
O caráter desprezível dos relatórios podem também ser confirmado na tese de que os documentos sigilosos da época teriam sido “legalmente destruídos”, inclusive os termos de destruição, os quais indicariam os responsáveis pela eliminação dos arquivos incriminadores. Acredite quem quiser. Ainda que sem os arquivos comprobatórios, por que é que o Ministério da Defesa não convocou os militares responsáveis pelas instalações militares em questão, como a sede do DOI-CODI do II Exército, em São Paulo, chefiado à época pelo coronel Ustra? Aliás, o livro deste criminoso de Estado consta como prova, nos relatórios em questão, de que nada de ilegal ocorreu naquelas dependências.
Contudo, gostaria de chamar a atenção a um aspecto perigoso para uma efetiva democracia e com presença constante na lógica de governo do Estado de Direito: o documento com os relatórios das três Forças usa como argumento fundamental das respostas a ideia de que se pautam pela lógica da “promoção da reconciliação nacional”, como consta na lei de criação da CNV. Este é um ponto que pode passar desapercebido, mas indica uma questão nevrálgica no trato da apuração da verdade sobre a época da ditadura. Passados 25 anos da transição para um Estado de Direito, não vivemos mais sob o perigo de golpe de Estado ou reversão no processo democrático.
A proposição de “reconciliação nacional”, incluída na lei de criação da CNV e repetido exaustivamente em todos os momentos em que chegamos perto da verdade sobre o período ou de passos no sentido da efetivação da justiça, fundamenta-se na falsa versão de que nos anos 60 e 70 houvesse no país o conflito entre duas forças extremas, os “subversivos” da esquerda e a “linha dura” dos militares. Esta versão corroborou, nos anos 80 e 90, a ficção de que a transição para a democracia teria se pautado na reconciliação nacional. Esta peça ficcional e já mitológica teria sido confirmada na década passada pelo Supremo Tribunal Federal quando este confirmou a anistia para os torturadores (maio de 2010).
Chega a ser patológico, como se evidencia na repetição desta ideia nos referidos relatórios, que a democracia insista nesta tese nos dias atuais, especialmente durante os trabalhos de uma comissão da verdade. Mais grave do que isto, esta ficção corrobora a tese de vivemos sob uma espécie de transição (não sabemos para onde transitamos!) e que seria de bom tom não confrontar aqueles fantasmas. Os espectros que não são nomeados, mas que servem como justificativa para não nos aprofundarmos em uma democracia de transformação social e política. Não se trata de jogar contra as demandas de uma política de “justiça de transição” – verdade, memória, justiça e reforma das instituições –, tão necessárias e distantes ainda hoje.
Mas, por que insistir nesta tese da transição e da reconciliação? Como é possível adotar esta formulação nos trabalhos de uma criação da verdade? O que estaria de fato por trás desta ideia?
São questões a serem respondidas com urgência. As reações repressivas e de criminalização dos movimentos sociais, especialmente a partir de junho de 2013, parecem indicar um rastro para encontrar as respostas.
O que parece estarmos vivendo é um conflito, não uma reconciliação. A chamada transição democrática no Brasil configurou-se como a montagem de uma democracia de cunho autoritária e oligárquica. Conquistamos direitos importantes e fundamentais. Porém, a esfera da decisão política continuou nas mãos de poucos, implicando em um Estado voltado prioritariamente aos grandes grupos econômicos e às oligarquias políticas.
Creio que estamos em um momento importante para mudarmos os rumos planejados na “abertura lenta, gradual e segura” dos fins da ditadura, que visou a montagem da atual democracia de segurança e controle. Está instalado no país um conflito aberto, democrático e de rediscussão dos rumos traçados. Mesmo que possamos discordar de certas formas do agir na política, não podemos impor um único modelo de relações sociais.
Não é o momento da reconciliação. É a hora de deixarmos muito claro que houve tortura no país durante a ditadura e que o atual Estado de Direito, por meio de seus agentes e instituições, continua a violar gravemente os direitos humanos. Não há como reconciliar com a política do #NÃOVAITERVERDADE proposta pelo Ministério da Defesa.

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No headline

O QUE RESTA DO GOLPE DE 1964
Confira o especial de 50 anos do golpe no Blog da Boitempo, com artigos, eventos e lançamentos refletindo sobre os legados da ditadura para o Brasil contemporâneo, aqui.

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Edson Teles é autor de um dos artigos que compõe a coletânea Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas, que tem sua versão impressa vendida por R$10 e a versão eletrônica por apenas R$5 (disponível naGato Sabido, Livraria da Travessa e outras).

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Edson Teles é doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), é professor de filosofia política na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Pela Boitempo, organizou com Vladimir Safatle a coletânea de ensaios O que resta da ditadura: a exceção brasileira (2010), além de contar com um artigo na coletânea Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas (2012). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.


segunda-feira, 30 de junho de 2014

"Brasil forjado na ditadura representa Estado de exceção permanente"

 

 

buscado no Prof. Mazucheli

 


Fonte: Carta Maior 



Bia Barbosa  por Bia Barbosa








SÃO PAULO - Qual a idéia de "Estado de exceção"? 

Na interpretação tradicional do termo, trata-se de um momento de suspensão temporária de direitos e garantias constitucionais, decretado pelas autoridades em situações de emergência nacional, ou mediante a instituição de regimes autoritários. Seu oposto seria o Estado de Direito, conduzido por um regime democrático. Na avaliação de professores, filósofos e defensores de direitos humanos, no entanto, a existência de um Estado de exceção dentro do Estado de Direito seria exatamente a característica do Brasil atual, forjada no período da ditadura militar e que, mesmo após a redemocratização do país, não se alterou. Esta foi uma das conclusões do seminário sobre a herança da ditadura brasileira nos dias de hoje, organizado pela Kiwi Companhia de Teatro esta semana, em São Paulo.

Para o filósofo Paulo Arantes, professor aposentado do Departamento de Filosofia da USP, há um país que morreu e renasceu de outra maneira depois da ditadura, e que hoje é indiferente ao abismo que se abriu depois do golpe militar e que nunca mais se fechou.

"Que tipo de Estado e sociedade temos depois do corte feito em 64, do limiar sistêmico construído por coisas que parecem normais numa sociedade de classes, mas que não são? O fato da classe dominante brasileira poder se permitir tudo a partir da ditadura militar é algo análogo à explosão de Hiroshima. Depois que a guerra nuclear começa ela não pode mais ser desinventada. Quando, a partir de 64, a elite brasileira branca se permite molhar a mão de sangue, frequentar e financiar uma câmara de tortura, por mais bárbara que tenha sido a história do Brasil, há uma mudança de qualidade neste momento", avalia Arantes. 

Para o filósofo, o país foi forjado pela ditadura a ponto de hoje nossa sociedade negligenciar tudo aquilo que foi consenso durante o autoritarismo dos militares. "A ditadura não foi imposta. Ela foi desejada. Leiam os jornais publicados logo após 31 de março de 1964. Todos lançaram manifestos de apoio ao golpe, era algo arrebatador. CNBB, ABI, OAB, todo mundo que hoje é advogado do Estado de Direito apoiou. Se criou um mito de que a sociedade foi vítima de um ato de violência, mas a imensa maioria apoiou o golpe", disse Arantes. "E a ditadura se retirou não porque foi derrotada, mas porque conquistou seus objetivos. A abertura de Geisel foi planejada, já tinha dado certo com o milagre econômico. Tanto que seus ideólogos estão aí, como principais conselheiros econômicos da era Lula-Dilma, e que a ordem militar está toda consolidada na Constituição de 88", criticou. 

Na avaliação de Edson Teles, membro da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos do Brasil e professor de filosofia da Unifesp, a Constituição de 1988 foi apenas uma das formas de lançar o Brasil num Estado de exceção permanente, definido por ele quando a própria norma é usada para suspender a ordem; ou quando aquilo que deveria ser a exceção acaba se tornando ou reafirmando a própria norma. 

Para Teles, além de manter a estrutura autoritária militar, o novo ordenamento democrático foi construído sobre o silenciamento dos familiares de vítimas e de movimentos de defesa dos direitos humanos, que queriam justiça para os crimes da ditadura. O problema, no entanto, vinha de antes.

"Em um Congresso controlado pela ditadura, a Lei de Anistia adotou a suspensão da possibilidade de punição de qualquer crime. Um momento ilícito foi tornado lícito, com o silenciamento dos movimentos sociais e pela anistia, que exigiam esclarecimentos sobre os crimes. O que o Estado montou foi algo que manteve a ideia de impunidade. Depois veio o Colégio Eleitoral, que fez uma opção por uma saída negociada entre as oligarquias que saíam e as novas que chegavam, decidindo manter a anista ao crimes da ditadura. Foi o grande acordo do não-esclarecimento", relatou. 

O julgamento no Supremo Tribunal Federal em 2010 sobre a interpretação da Lei de Anistia foi, segundo Teles, o coroamento desse silêncio e a instauração de um Estado de exceçãono país. "Baseada em ideias fantasmagóricas de que novos golpes que poderiam ser dados, nossa transição foi a criação de um discurso hegemônico de legitimação deste Estado de exceção. Faz-se este discurso como forma de legitimar essa memória do consenso, mas se mantem o Estado de exceção permanente, reconhecendo as vítimas sem nomear os crimes", acrescentou. 

Exceção e consenso hoje
O consenso acerca daquilo que deveria ser visto como exceção não se restringe hoje, no entanto, àquilo que pode ser considerado a herança mais direta da ditadura militar. Foi construído também em torno de uma série de acontecimentos e práticas que deveriam mas não mais despertam reações da população brasileira. 

"A exceção se torna perigosíssima quando deixamos de reconhecê-la como tal e ela se torna consenso", alertou o escritor e professor de jornalismo da PUC-SP, José Arbex Jr. "Ninguém achou um escândalo, por exemplo, no lançamento da Comissão da Verdade, ver os últimos Presidentes do país juntos, sendo que um deles foi presidente da Arena, o partido da ditadura, responsável pela tortura da própria Dilma; e o outros era Collor! Da mesma forma, está em curso em Osasco uma operação chamada Comboio da Morte, que matou nas últimas horas 16 pessoas. Isso não causa um escândalo nacional, é normal, natural, porque estamos "na democracia". Os jornais falam da Síria, mas a média de mortes diária no auge do conflito da Síria não chega ao que temos aqui cotidianamente. Lá é 60 aqui é 120! Então não estamos discutindo algo que aconteceu em 64 e que hoje se apresenta de forma mitigada, atenuada", disse Arbex.

Para o jornalista, o país vive um estado de letargia hipnótica coletiva, fabricado de maneira competente e eficiente pelo aparato midiático, que produz um consenso em torno de uma imagem de país na qual todos acabamos acreditando. "É muito grave quando olhamos para o Brasil e não percebemos essa realidade de consenso: de nenhuma garantia de direito para quem esteja fora da Casa Grande, e uma situação de guerra permanente", acrescentou. 

É o que Paulo Arantes chamou de Estado oligárquico de Direito, um Estado dual, com uma face garantista patrimonial, que funciona para o topo da pirâmide, e uma face punitivista para a base. "Esse Estado bifurcado é uma das "n" consequências da remodelagem do país a partir dos 21 anos de ditadura. Basta pensar no que acontece todos os dias no país. Trata-se de um outro consenso, também sinistro e indiferente, senão hostil, a tudo que nos reúne aqui. Um Estado de exceção que não é o velho golpe de Estado, mas um novo modo de governo do capital na presente conjuntura mundial, que já dura 30 anos", afirmou Arantes.

Ninguém cavalga a história 
O que permitiria dizer da possibilidade de se encontrar uma saída deste Estado de exceção permanente é o caráter imprevisível e incontrolável da história. Arbex lembrou que, em setembro de 1989, quando estava em Berlim, ninguém dizia que o Muro cairia menos de dois meses depois. "O fato é que, felizmente, ninguém cavalga a história. Ainda não encontraram uma maneira de domesticá-la. Há um processo latente de explosão social no Brasil, que se combina com processos semelhantes na América Latina, e que pode produzir uma situação totalmente nova. Ninguém previu a Primavera Árabe. Quando um jovem na Tunísia atirou fogo no próprio corpo, ninguém imaginava que, um mês depois, cairia Mubarak no Egito. Estão, não estamos condenamos para sempre a esta situação. Só posso dizer que estamos vivendo numa época que, em alguns aspectos, é mais trágica, mais cruel e mortífera que a ditadura militar", acredita. 

"Este Estado de exceção só terminará quando a ditadura terminar, quando o último algoz for processado e julgado. Se a Comissão da Verdade encontrar dois ou três bons casos e levantar material para ações cíveis, pode haver uma transmutação disso tudo. E o regime, a sociedade e a economia não vão cair se os perpetradores da ditadura forem processados, como não caíram na Argentina ou no Chile", acredita Paulo Arantes. "Mas devemos pensar no que significaria essa última reparação. Se o último torturador e os últimos desaparecidos forem localizados, em que estágio histórico vamos poder entrar?", questionou. Uma pergunta ainda sem resposta.


sábado, 5 de abril de 2014

Momento inimaginável: Internacional cantada no antigo DOI-Codi



buscado no VIOMUNDO


por Artur Scavone, encaminhados via e-mail




Internacional é entoada no antigo DOI-Codi paulista em ato contra torturadores

Ativistas de direitos humanos e ex-presos políticos lotaram o pátio do local onde ainda hoje funciona uma delegacia de polícia

Por Lúcia Rodrigues, especial para o Viomundo

50 anos após o golpe militar que perseguiu, prendeu, torturou, matou e desapareceu com os corpos de centenas de ativistas de esquerda durante a ditadura, a internacional, hino comunista, ecoou na manhã desta segunda-feira, 31, no pátio onde funcionou o antigo DOI-Codi de São Paulo, o principal centro de torturas do país, no ato que exigiu a punição dos torturadores e financiadores da repressão.
Dezenas de ex-presos políticos que tiveram o grito sufocado nas sessões de tortura, puderam cantar a plenos pulmões a canção que silenciaram durante os Anos de Chumbo, junto com aproximadamente duas mil pessoas que compareceram à manifestação.
Do lado oposto do pátio que dava acesso às celas e salas de tortura, a ex-guerrilheira do Araguaia, Criméia Almeida, torturada pessoalmente pelo então comandante do DOI, Carlos Alberto Brilhante Ustra, quando estava grávida de sete meses, contemplava o local onde ficou presa. “Foi ali, naquela janela da esquerda, que eu fiquei”, afirma recordando o inferno que viveu.

Vitória da resistência
Apesar do sofrimento, Criméia considera que o ato desta segunda, em repúdio ao golpe, foi uma vitória daqueles que lutaram contra a ditadura. “Apesar de ser um lugar de muitas memórias tristes (ela viu o companheiro de partido, Carlos Nicolau Danielli, ser assassinado sob tortura), a sensação, hoje, é muito boa. Com muito sacrifício ocupamos este espaço. É sem dúvida uma vitória”, enfatiza.
O presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, deputado Adriano Diogo (PT-SP), organizador da manifestação, também foi pessoalmente torturado pelo coronel do Exército, Brilhante Ustra. Ele ficou preso três meses no centro de tortura. No dia em que chegou ao DOI-Codi haviam acabado de matar seu colega de classe na Geologia da USP, Alexandre Vannuchi Leme.
“Este lugar é macabro. É uma desfaçatez que ainda hoje funcione uma delegacia neste local. Foi importante os sobreviventes virem até aqui. É uma demonstração de muita coragem”, afirma ao se referir às torturas que todos que passaram por ali sofreram.
Na leitura do manifesto Ditadura Nunca Mais, Adriano defendeu a revisão da Lei de Anistia. De acordo com ele, a manutenção do entulho autoritário permite que a polícia continue agindo de forma truculenta até hoje. “A Lei de Anistia é a pedra de toque da impunidade. A Comissão Nacional da Verdade devia fazer um relatório dizendo: Reveja-se a Lei de Anistia”, explica.
No ato desta segunda não houve discursos, as manifestações foram substituídas por intervenções artísticas. A atriz Fernanda Azevedo, que ganhou recentemente o Prêmio Shell de Melhor Atriz, compareceu ao evento e apresentou parte de sua peça Morro Como Um País, que está em cartaz em São Paulo. No trecho encenado, Fernanda apresenta o diálogo do general Geisel com um colega de farda reconhecendo a tortura e a morte de ativistas como uma necessidade do regime.

Assassinos
Todos os ex-presos políticos mortos no DOI-Codi paulista foram lembrados no ato. A cada nome citado, a plateia repetia: Presente. Os torturadores também não foram esquecidos por quem sofreu nas mãos deles. A cada nome de um agente da repressão, gritos de assassino ecoavam e invadiam a delegacia de polícia.
Bem perto dali, no Comando Militar do Sudeste, o palanque onde sempre se comemoraram todos os aniversários do golpe militar estava vazio. Do lado de fora, na calçada do quartel do Ibirapuera, uma dezena de integrantes da Marcha da Família pediam a volta dos militares em cartazes de cartolina e ao som do hino nacional tocado do alto de um potente carro de som.

Fotos Lúcia Rodrigues



terça-feira, 1 de abril de 2014

As bichas e a ditadura militar

 

buscado no Revista Fórum

 

Por Redação 
 
As bichas e a ditadura militar


Durante o regime militar emergiram no Brasil o movimento LGBT e grupos de contracultura que, mesmo com o AI 5, rompiam com a ordem binária dos gêneros no espaço público

Por Marcelo Hailer
Nesta semana em que lembramos dos 50 anos do golpe militar que instituiu a ditadura por 21 anos no Brasil, inúmeros atos são realizados, principalmente aqueles que visam pedir justiça para aqueles que tombaram na luta contra o regime militar, muitos deles com seus corpos desaparecidos. Junto a isso, temos o advento da Comissão Nacional da Verdade (CNV) que tem, desde 2012, investigado arquivos do Exército e convocado torturadores para depor. E, recentemente, os membros da Comissão revelaram que vão investigar as perseguições contra a população LGBT durante o período militar. Isto é bom, pois pouco ou nada se sabe a respeito destas pessoas durante os Anos de Chumbo.
Porém, houve sim uma movimentação política dos sujeitos LGBT durante o regime militar e ela se deu nas áreas da arte, do movimento social e estudantil – principalmente nas universidades – e também na área da imprensa com meios alternativos que visavam romper a barreira da imprensa normativa e censurada. O principal exemplo, e muito provavelmente mais conhecido, é o jornal O Lampião de Esquina, fundado por João Silvério Trevisan, Darcy Penteado, Aguinaldo Silva, Peter Fry e João Antônio Mascarenhas.
Em formato tabloide, O Lampião causou furor no seu curto tempo de existência (1978-1981), pois, contra o establishment homossexual à época, o meio utilizava palavras como “bicha” e levou à sua capa figuras como Fernando Gabeira e Lula. Além das divergências editoriais, que se tornaram irreconciliáveis com o passar do tempo, o jornal passou a sofrer boicote das bancas que se recusavam a vender o impresso e também sofrer processos por parte do Estado, que era regido por militares.
Se por um lado, O Lampião de Esquina sobreviveu apenas três anos (mas, levemos em consideração de que ainda vivíamos sob regime militar), a sua rápida existência vai servir como mola propulsora daquilo que ficará conhecido como Movimento Homossexual Brasileiro (MHB). O ativista e escritor João Silvério Trevisan vai organizar o primeiro grupo de ativismo social gay, o Somos – Grupo de Afirmação Homossexual, que, para vários historiadores, marcou época por ser o primeiro grupo de ação política a tratar da questão gay no espaço público e com intervenção social.
Mas, em 1977, ano em que surge o Somos, tanto a esquerda quanto a direita eram hostis à pauta bicha. No lado esquerdista, dizia-se que, com a revolução, as questões de gênero seriam resolvidas e focar nesta pauta tratava-se de um desvio de luta, no caso, a derrubada do capitalismo; no lado dos direitistas, os homossexuais eram vistos com sujeitos “pervertidos” e “anormais”. Mesmo com estas limitações no campo da política clássica, o grupo avançou e influenciou outras pessoas e se organizarem em grupos.

O escrito e fundador do Somos e do Lampião de Esquina, João Silvério Trevisan (Foto: Biblioteca Carlos Drummond)
O escrito e fundador do Somos e do Lampião de Esquina, João Silvério Trevisan (Foto: Biblioteca Carlos Drummond)

De acordo com Trevisan (2007) há um fato histórico que pode ser considerado crucial para o nascimento do movimento homossexual (hoje LGBT). Trata-se de um debate que aconteceu na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de São Paulo (USP), em 8 de fevereiro, no ano de 1979. Trevisan relata que o auditório estava lotado de jovens militantes da esquerda universitária, mas que também havia um número considerável de bichas e lésbicas. O debate foi tenso, pois, como já colocado, a esquerda ainda não encarava como sério o debate de gênero, então, enquanto os ativistas homossexuais gritavam que tinham o direito de ir para a cama com quem quisessem, os jovens comunistas diziam que a luta de gênero “era coisa de quem não tinha o que fazer” (TREVISAN; 2007).
Após três horas de debate, Trevisan conta (2007) que a sensação era de que o movimento homossexual estava definitivamente nas ruas e que ocupava o espaço que lhe pertencia de fato e que, emocionados, se beijavam em público já sem nenhum pudor ideológico. O racha definitivo entre uma linha mais anarquista e independente dos partidos de esquerda com os grupos ligados às correntes comunistas acontece no 1º de maio, de 1980, quando o movimento sindical organiza um ato no Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo. Os grupos na órbita do Somos se dividem entre participar ou não do ato. De um lado, prevalecia a ideia de que o movimento homossexual seria instrumentalizado pelas tendências trotskistas; de outro, havia a ideia de que o movimento gay deveria se integrar à luta trabalhista, visto que, na época, muitos já estavam em torno da fundação do Partido dos Trabalhadores. Não houve acordo, parte foi para o ato e outra não e, este racha ideológico se reflete até hoje nas organizações LGBT.
Rachado ou não, a ascensão do grupo Somos incentivou a criação de outras organizações em várias regiões do Brasil. Portanto, no final dos anos 1970, além do Somos, outros grupos começavam a se articular: Eros – SP, SOMOS Sorocaca – SP, Libertos Guarulhos – SP, Somos – RJ, Auê – RJ, Beijo Livre Brasília – Brasília – DF, Grupo de Afirmação Gay – Caxias – RJ, Grupo 3 Ato – Belo Horizonte – MG. Assim, pode-se dizer que a ditadura chegava ao seu fim e com ele surgia o movimento LGBT.
Rompendo com o binarismo de gênero
Para além do movimento social LGBT que surgiu durante o regime militar no Brasil, há também um outro grupo que vai deixar os generais de cabelos em pé: Dzi Croquettes, trupe performática que vai romper com o binarismo de gênero nos palcos de teatro de São Paulo e Rio de Janeiro. E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil viveu um “verdadeiro desbunde” durante os anos de 1960 e 1970 (FACCHINI; SIMÕES; 2009).
É fato que, simultaneamente ao surgimento do Dzi Croquetes, há também o grupo Secos e Molhados, que chamou atenção por conta do estilo andrógino de seu vocalista, Ney Matogrosso. Porém, o que vai diferenciar o Dzi do Secos e Molhados é que eles, mais do que chamarem a atenção dos militares e da sociedade, vão criar um estilo de vida e romper com os padrões de masculino e feminino. Como eles próprios diziam, “não eram nem homens, nem mulheres”. O movimento iniciado pelo Dzi será comparado com o movimento Genderfucker, ação desenvolvida nos Estados Unidos durante a década de 1960 e que tinha como ideologia a não representação dos gêneros em suas formas unitárias. Nem machos, nem fêmeas. Corpo.

Grupo performático Dzi Croquettes, que rompeu a ordem binária e foram censurados (Foto: Divulgação)
Grupo performático Dzi Croquettes, que rompeu a ordem binária e foram censurados (Foto:  Divulgação)

Os Dzi Croquetes levaram esse ideal ao extremo e iniciaram uma revolução silenciosa que, à época, as “tietes”, como eram conhecidos os fãs que seguiam o grupo, se vestiam igual, ou seja, em plena ditadura homens circulavam de salto alto, calça justa e maquiagem. Porém, não se depilavam, mantinham os pelos e a barba. Por conta disso uma “família” foi construída em torno dos Dzi Croquetes, o que alguns consideram como um “surto dzi croquetteano”. A partir desse enorme sucesso, os militares passaram a monitorar o grupo e não demorou para que todas as suas apresentações fossem censuradas. Sem poder se apresentar, no fim do anos 1970 o grupo se exilou, porém, por uma ironia da vida, o Dzi Croquettes se tornou um fenômeno na Europa.
O ponto de encontro entre os ativistas e os grupos de contracultura na época da ditadura brasileira se dá justamente nesta quebra dos códigos binários de gênero e onde o corpo e o sexo eram entendidos como armas políticas. Porém, quando boa parte dos exilados retornaram ao Brasil já encontraram a cultura do “corpo saudável” disseminada. A “bicha porra louca” já não era legal, pois era associada à Aids, o código será o corpo malhado e a monogamia enquanto regra. Como se vê, se o Brasil não tivesse sofrido um golpe militar que dizimou com todos os grupos de contracultura, talvez hoje não estivéssemos vivendo esse surto machista que assola o país.

Referências:
TREVISAN, João Silvério. Devassos no Paraíso: A homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade. Rio de Janeiro: Record, 2007.
SIMÕES, Júlio Assis; FACCHINI, Regina. Na trilha do arco-íris: Do movimento homossexual ao LGBT. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2009.
GREEN, James N. Além do Carnaval: A homossexualidade masculina no Brasil do século XX. São Paulo: Editora UNESP, 

 2000.


quarta-feira, 19 de março de 2014

50 anos do golpe militar: de tragédias e farsas


buscado no Gilson Sampaio 


14.03.12_Mauro Iasi_Golpe
 
Mauro Iasi.
“Na antiguidade e continuação do domínio gasta-se a memória”Maquiavel

Sob vários aspectos a consciência social do período histórico que se abriu com o fim da segunda Guerra Mundial foi marcado por um certo otimismo quanto a humanidade e seus destinos. Exemplos deste otimismo podem ser vistos tanto na idílica visão de T. H. Marshal sobre a evolução dos direitos até a realização de uma cidadania plena, até a expansão do socialismo com a Revolução Chinesa, a Cubana e o processo de descolonização na Ásia e África.
A tragédia de duas guerras mundiais, a barbárie do nazifascismo, teria marcado a consciência dos seres humanos criando uma espécie de patamar abaixo do qual não mais recuaríamos. Infelizmente as coisas não são assim. Wilhelm Reich afirmou, certa vez, que toda vez em que a humanidade se vê diante da disjuntiva “socialismo ou barbárie”, costuma escolher primeiro a barbárie. A onda de golpes seguidos pelo estabelecimento de ditaduras que assombraram a América Latina comprovaria esta suspeita e esta cota de terror e sangue foi paga em nome da defesa da ordem democrática e do mundo livre.
Hoje nos encontramos diante de um paradoxo semelhante. Pareceria à consciência ingênua de nossa época que a América Latina teria chegado atrasada à ordem democrática mundial, no entanto, a própria experiência trágica do período autoritário funcionaria como uma espécie de antídoto contra retrocessos. Nossas sociedades passariam, então, para um desenvolvimento lento em direção ao aperfeiçoamento democrático e a diminuição das desigualdades que nos marcam.
Duas constatações são para nós evidentes. Primeiro que a suposta dicotomia de uma ordem mundial dividida entre um centro democrático no qual se ensaiava formas de um Estado do Bem-estar Social, próprias de um capitalismo avançado, e uma periferia que ainda vivia distorções autoritárias por conta de seu precário desenvolvimento econômico, não se sustenta. Segundo que o próprio centro, ao contrário do mito do auto-aperfeiçoamento institucional que levaria à plena cidadania, dá sinais claros de retrocesso quanto a direitos e, até mesmo, padrões minimamente democráticos, como provam as leis restritivas em relação aos imigrantes na Comunidade Européia e o Patriot Act nos EUA depois dos atentados de setembro de 2001.
Tanto na conjuntura dos anos sessenta e setenta como hoje, a raiz da ilusão reside na desconsideração da luta de classes. Bobbio acreditava que as sociedades contemporâneas se apresentavam de duas formas:
“Em uma sociedade fortemente dividida em classes contrárias, é provável que o interesse da classe dominante seja assumido e sustentado até mesmo coercitivamente enquanto interesse coletivo. Em uma sociedade pluralista e democrática, na qual as decisões coletivas são tomadas pela maioria (ou pelos próprios cidadãos, ou por seus representantes), considera-se interesse coletivo aquilo que foi aprovado pela maioria.” (BOBBIO, Norberto. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Campus, 2000. p. 220-221.)
Notem que segundo o juízo deste senhor pode parecer que uma sociedade democrática e pluralista não é uma sociedade fortemente dividida em classes, como se o antagonismo de classe fosse um fenômeno político e não tivesse raízes econômicas fincadas solidamente nas relações sociais de produção e formas de propriedade. Nossas sociedades latino-americanas, nesta perspectiva, foram sociedades fortemente divididas em classes e deveriam se empenhar para transitar para sociedades “democráticas e pluralistas”.
O que se confirmou na experiência histórica do século XX é que os períodos “democráticos” cumprem a função que Engels já descrevera de ser um “termômetro da luta de classes”, e acreditou prudente acrescentar que nunca foi e nunca poderia ser algo mais que isso, ou seja, não era uma forma que ocupava o lugar da luta de classes pela possibilidade de formação de consenso, mas apenas uma forma da luta de classes que sob ela continuava a existir e se aprofundar.
A experiência “democrática” não foi interrompida pelo golpe. A experiência “democrática” levou ao golpe. A ideia que hoje tenta-se apresentar é a de que aquela experiência foi interrompida e junto como isso realimenta-se a ilusão que pode ser retomada de onde parou. Pior, a interrupção é avaliada como resultante de um certo radicalismo que não compreendia o horizonte das reformas e a necessidade de seu gradualismo e acaba provocando as forças reacionárias que acabam por impor a alternativa golpista.
Esta visão absolutamente distorcida se apresenta na avaliação de Emir Sader em texto recente neste blog. Ao avaliar os acontecimentos que levaram ao golpe e enfatizar o erro estratégico do PCB e sua tese de uma Revolução Democrática Nacional, o sociólogo afirma que “o próprio PCB teve muita dificuldade para entender o nacionalismo no Brasil”, ora se aproximando de Getúlio Vargas e ora abrindo suas baterias contra ele. Da mesma forma agiu com Goulart, ora apoiando suas reformas, ora tencionando-as e contribuindo para a radicalização que acabou por derrubá-lo.
Não se trata de um mero acerto de contas com o passado, mesmo neste aspecto insuficiente e precário, pois o autor precisa se decidir se critica o PCB pelo erro de supor o papel progressista de uma inexistente “burguesia nacional”, crítica com que concordamos, ou por não apoiar decididamente as forças nacionalistas e suas reformas. Não se trata disso, mas da tentativa ideológica de identificar o atual governo Dilma como continuador das reformas e conclamar, apesar das evidências antipopulares e mesmo antidemocráticas do atual governo (vide a portaria do Ministério da Defesa que estabelece as Operações de Garantia da Lei e da Ordem), a que todos se empenham em apoiá-lo contra as forças reacionárias.
É por isso que ao fim de uma análise pobre e tergiversada Sader conclui, logo após afirmar que parte do PCB vai para a aventura do PPS e cai no campo da direita, que:
“desde então o nome PCB foi resgatado pelos que resistiram a essa operação, mas sem maior representatividade e peso político, defendendo posições de ultra-esquerda, sem tirar lições dos erros que cometem em relação ao Getulio, para reproduzi-los em relação ao Lula.”
Quais lições teríamos que tirar de nossa experiência? O erro do PCB foi não ter apoiado mais decididamente o nacionalismo de Getulio ou o reformismo limitado de Goulart? Sader desconsidera um nexo essencial, qual seja, a estratégia Democrática Nacional supunha uma aliança com a burguesia nacional e daí uma relação tática com governos burgueses de caráter “nacionalista”, como forma de acumular para uma revolução socialista, daí o apoio a Getulio em uma determinada fase, assim como a Goulart, no entanto, tal apoio não se dava sem lutas e pressões para avançar as reformas ou na defesa de posturas antiimperialistas.
A postura do PCB deveria ser apoiar mais e pressionar menos, é isso?
O paralelo com os atuais governos petistas não cabe. São governos fundados em um pacto social de natureza profundamente distinta, não com uma suposta burguesia nacional, mas com a grande burguesia monopolista em suas mais diversas expressões (industrial, financeira, agrária e comercial) que aceitando como limite intransponível a economia de mercado capitalista, buscam uma forma de produzir um tipo de desenvolvimento que combine crescimento dos lucros privados e políticas distributivistas focalizadas, inserção via crédito e consumo, certa garantia de emprego com precarização de condições e flexibilização de direitos. Os governos petistas abandonaram qualquer perspectiva reformista, assumiram a tese da contrarreforma do Estado e de seu saneamento e equilíbrio financeiro que combina a política de superávits primários com o estrangulamento de políticas públicas, assim como intensificou as formas diretas e indiretas de privatização, tais como as Fundações Públicas de Direito Privado, as OS e OCIPS e outras formas. Paralisam e obstaculizam a reforma agrária, destruíram a previdência pública e condena o setor público ao descaso.
Fazer oposição a este tipo de governo é “ultra-esquerdismo”? Tal caracterização é útil ao ideólogo, pois ainda lhe resta a dignidade de uma posição de “esquerda”. Tal construção argumentativa só pode se manter transformando a caracterização de esquerda como algo relativo, isto é, “define-se por quem está à sua direita”. Há forças políticas à direita do PT (como governo e certamente como partido, pois são duas coisas distintas). Há setores políticos da grande burguesia que se apresentam como alternativa de governo dentro do bloco conservador, como o PSDB, PPS e seus aliados, assim como há a extrema direita e os saudosistas do regime militar, mas isso não faz nem do governo, nem do partido que lhe dá sustentação política, uma força de esquerda.
Programaticamente e politicamente o PT e seu governo assumiram um perfil de centro (pela natureza do programa econômico, pela opção de forma política e pelo horizonte societário para qual apontam e que abandonou qualquer perspectiva socialista). Na situação real de governo, com as alianças incontornáveis que lhe confere governabilidade, assume a forma de uma aliança de centro-direita.
É evidente que forças de esquerda podem e, em certas situações devem, apoiar governos de centro. Mas será esse o caso no Brasil? Os entusiastas do voto útil apregoam que diante de um evidente ataque de direita e ameaças de extrema direita, a esquerda deveria garantir a continuidade do governo de pacto social de centro-direita para evitar o retrocesso.
Tal argumentação é, acima de tudo falaciosa. A direita não se define, pelo menos para quem não abandonou o marxismo, pela sigla partidária registrada no TSE, mas por seu caráter de classe. A grande burguesia monopolista não está na oposição, está no governo. Ou será que precisamos evitar a vitória das siglas partidárias da direita explícita para evitar que o rei do agronegócio, o senhor Maggi, tenha alguma influência no governo, ou a bancada ruralista da senhora Kátia Abreu tenha mais acesso do que já tem, ou ainda o grupo Votorantin, ou os grandes bancos e as empreiteiras?
Diante deste fato a extrema direita, que existe e está se movimentando, está isolada. A classe dominante brasileira acredita que pode garantir seus interesses nos limites da ordem institucional estabelecida, o que não implica que ela, no jogo eleitoral, não tenha suas preferências, assim como, não se utilize de vários expedientes para enfraquecer o atual governo e colocá-lo mais docilmente sob seu controle.
A esquerda tem, neste cenário, outro papel do que salvar o atual governo de sua instável e eficiente política de alianças. A desastrosa experiência política do PT desarma os trabalhadores naquilo que seria o mais fundamental neste contexto conjuntural: sua autonomia e independência de classe.
Depois de nos desarmar diante de nossos inimigos os atuais governistas e conciliadores, reclamam que não estamos dispostos a defendê-los quando estes ameaçam atacá-los. Aconselho que procurem o PMBD. Se fosse real esta inflexão, a busca de apoio da esquerda, o atual governo deveria, no mínimo, anunciar uma mudança de curso e apontar para demandas populares que emergiram claramente nas ruas em junho de 2013. No lugar disso a presidente anuncia a fé na lei de responsabilidade fiscal e ameaça os manifestantes com a reedição de instrumentos autoritários e repressivos. Desejamos sorte, eles vão precisar.
Por fim, nunca é demais lembrar os bons e velhos Karl Marx e Friedrich Engels, quando defendiam que os trabalhadores deveriam participar das eleições e apoiar seus candidatos próprios “mesmo que não exista esperança alguma de triunfo”, pois o fundamental é “conservar sua independência” defendendo claramente suas propostas revolucionárias. E diante da alegação que isto pode levar a uma vitória dos conservadores, respondem:
“Os operários não devem não devem deixar-se enganar pelas alegações dos democratas (pequeno-burgueses) de que, por exemplo, tal atitude cinde o partido democrático e facilita o triunfo da reação. Todas estas alegações não perseguem senão o fim de iludir o proletariado. Os êxitos que o partido proletário alcançar com semelhante atitude independente pesam muito mais que a presença de uns quantos reacionários na assembléia representativa. Se os (democratas pequeno-burgueses) agissem resolutamente, desde o princípio, com medidas terroristas contra a reação, a influência desta nas eleições ficará de antemão eliminada” (Marx e Engels. Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas [1850]).
O interessante é que por este raciocínio obtuso o PT não existiria, pois teria apoiado o MDB e não apostado na independência de classe por receio de divisão da frente democrática e retrocesso da ditadura. Posição, aliás, que o PCB defendeu e estava equivocado ao fazê-lo. É verdade, é necessário aprender com nossos erros ou estamos condenados a repetir o equívoco dos outros. Nós comunistas aprendemos e os petistas… aprenderão? 


sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Teatro sob a ditadura


buscado no Gilson Sampaio  


Via   Nos Porões da Ditadura, uma Flor

Em 11/02/68 Os teatros cariocas e paulistas suspendem a apresentação de espetáculos por 3 dias, em protesto contra a censura. Artistas fazem vigília nos teatros municipais do Rio e de São Paulo.
Foto: Em 11/02/68 Os teatros cariocas e paulistas suspendem a apresentação de espetáculos por 3 dias, em protesto contra a censura. Artistas fazem vigília nos teatros municipais do Rio e de São Paulo.



Em 1968 com AI-5, O governo encerra as atividades do Congresso Nacional, jornais são invadidos, fechados, censurados, teatros são bombardeados, inicia-se uma caçada as "bruxas" intelectuais. Artistas, estudantes, políticos de esquerda enchem as prisões enquanto o "milagre brasileiro" mostra uma economia excitante para a elite que está calada. Mas vai ter muito herói nesse história, as guerrilhas serão travadas pela classe artística em cada centímetro de palco brasileiro. Dramaturgos perguntavam-se " o que se pode dizer além do que não se pode dizer?" É a censura que os angústia. Se uma turma segue a margem do conflito com um teatro chamado digestivo, alguns resistiam apelando para metáforas que burlavam seus censores. Verdade que também burlavam muitos de seus espectadores, mas o que fazer- a vida intelectual do Brasil da época estava longe de ser perfeita. 



Esse é o caso da peça Botequim escrita por Guarnieri em 1973. 

Sob forte tempestade um grupo de pessoas fica presa num bar, sem ter como sair e sem notícias porque o rádio está mudo. A metáfora é perfeita, mas nem todo mundo entendeu. Isso não impediu Guarnieri de se manter na vanguarda da resistência.



Além de Arena conta Zumbi com Boal e Edu Lobo, montaram Arena conta Tiradentes uma análise daquele momento do momento a partir do mártir da inconfidência Mineira. O Arena seguiu com clásiico internacionais adaptados, e inúmeros autores como Chico Buarque, Millôr Fernandes, Dias Gomes, Vianninha, Boal entre outros se embatiam com os censores. E a luta era dura. Muitas vezes, se deixou morrer a palavra e se fez uso do corpo para expressar a resistência. Nasce o teatro sensorial, e o teatro da agressão (pelos palavrões, "imagens e ações físicas sobre" os espectadores). Conquistar o público passa a ser uma batalha emocional. tinha sexo, drogas e rock and roll. Antonin Artaud autor e poeta francês de textos delirantes torna-se ídolo, e devagar vem chegando o tropicalismo. Mas era muito palavrão, muito sexo e confusão, a sociedade ia chiar.E a censura não só proíbe argumentos políticos, mas tudo o que considera "maus costumes". 



Em 1974 a policia invadiu o Teatro Oficina, fechou suas portas e prendeu Zé Celso e Boal ( que depois de libertado se exilou na França).Em 1976 Sarte proíbia suas peças de serem encenadas no Brasil até que se estabelecesse "a ordem e as liberdades demoráticas".Uma das maiores forças da arte durante a Ditadura estava no teatro amador. E grupos se multiplicam pelo país de jovem frustrados. A dramaturgia que surge dai é regional, voltada para a tentativa de gerar consciência ou debate para os problemas de sobrevivência locais e por isso a margem dos censores preocupados com o que acontecia no eixo Rio-São Paulo. Ai as grandes batalhas estão sendo travadas. A tática dos censores é genial. Liberam textos quase na estréia, depois cancelam, suspendem peças em cartaz e quebram a estrutura financeira dos teatros. Prendem autores e diretores, fecham grupos, ameaçam. Não proíbem nem liberam-" congelam textos" e os cortam arbitrariamente, fazem ataques terroristas aos teatros. 



Mas nos anos de 1970, o brasil contou com o apoio do teatro internacional que visitava o país com suas peças. Estiveram aqui o Living Theatre, o Open Theatre, Ionesco, Genet, Grotowski, Lavelli, Robert Wilson, alguns trazidos pelos festivais organizados por Ruth Escobar. E essa época épica, forjou um teatro brasileiro de imensa qualidade. Nasceu o CPT de Antunes Filho que causou imenso impacto na cena nacional e internacional.



Em 1978 o AI-5 foi suspenso, mas os censores continuaram, agora como "força atenuante" e como compensação o governo começava inesperadamente a oferecer recursos ao setor cultural. Um verdadeiro morde e assopra. No entanto esse foi o período mais prolífico da dramaturgia brasileira e também dessa sopa de criatividade nasceram os maiores nomes do nosso teatro. Diretores espetaculares que absorveram a força de expressão de um arte e atores com características muito especiais que são um orgulho que poucas nações podem comemorar.



Algumas peças importantes encenadas sob a ditadura



O show Opinião- Vianninha, Paulo Pontes e Armando Costa

Liberdade, Liberdade - Millôr Fernandes e Flavio Rangel

Arena conta Zumbi

Arena conta Tiradentes

O Homem do principio ao fim - Millôr Fernandes

O assalto - José Vicente

Fala baixo senão eu grito - Leilah Assumpção

`A flor da pele -Consuelo de Castro

Um grito parado no ar -Guarnieri

O Botequim- Guarnieri

Apareceu a margarida - Roberto Athayde

Gota D'agua - Chico Buarque e Paulo Pontes

A Ópera do Malandro - Chico Buarque

A resistência - Maria Adelaide Amaral

Murro em ponta de faca - Boal

Rasga coração - Vianninha

Caminho de volta - Consuelo Castro

O Último Carro - João das Neves

A fábrica de chocolates - Mario Prata

Campeões do mundo - Dias gomes

Patética - João Ribeiro

Navalha na carne - Plínio Marques



Algumas peças proíbidas



A Invasão - Dias Gomes

Tio Patinhas e a pílula - Augusto Boal

Arena conta Tiradentes - Augusto Boal e Gian Francesco Guarnieri

Mateus e Mateusa - Qorpo-Santo

Entre quatro paredes - Sartre

A passagem da rainha - Bivar

Basta - Guarnieri

Revolução na America do Sul - Boal

O aprendiz e o feiticeiro (infantil) - Maria Clara Machado

O rei morreu, viva o rei - César Vieira

Milagre na cela - Jorge Andrade

Caixa de cimento - Carlos Henrique Escobar

Feira Brasileira - Opinião (autoria do grupo)

Trivial simples - Nelson Xavier

Rasga Coração - Vianninha

A massagem - Mauro rasi

Os fuzis da senhora Carrar - Brecht

O comportamento sexual do homem - Boal

As hienas - Bráulio Pedroso

Abajur lilás - Plínio Marcos

Delito Carnal - Eid Ribeiro



FONTE: Teatro Brasileiro, panorama do século XX
Em 1968 com AI-5, O governo encerra as atividades do Congresso Nacional, jornais são invadidos, fechados, censurados, teatros são bombardeados, inicia-se uma caçada as "bruxas" intelectuais. Artistas, estudantes, políticos de esquerda enchem as prisões enquanto o "milagre brasileiro" mostra uma economia excitante para a elite que está calada. Mas vai ter muito herói nesse história, as guerrilhas serão travadas pela classe artística em cada centímetro de palco brasileiro. Dramaturgos perguntavam-se " o que se pode dizer além do que não se pode dizer?" É a censura que os angústia. Se uma turma segue a margem do conflito com um teatro chamado digestivo, alguns resistiam apelando para metáforas que burlavam seus censores. Verdade que também burlavam muitos de seus espectadores, mas o que fazer- a vida intelectual do Brasil da época estava longe de ser perfeita.
Esse é o caso da peça Botequim escrita por Guarnieri em 1973.
Sob forte tempestade um grupo de pessoas fica presa num bar, sem ter como sair e sem notícias porque o rádio está mudo. A metáfora é perfeita, mas nem todo mundo entendeu. Isso não impediu Guarnieri de se manter na vanguarda da resistência.
Além de Arena conta Zumbi com Boal e Edu Lobo, montaram Arena conta Tiradentes uma análise daquele momento do momento a partir do mártir da inconfidência Mineira. O Arena seguiu com clásiico internacionais adaptados, e inúmeros autores como Chico Buarque, Millôr Fernandes, Dias Gomes, Vianninha, Boal entre outros se embatiam com os censores. E a luta era dura. Muitas vezes, se deixou morrer a palavra e se fez uso do corpo para expressar a resistência. Nasce o teatro sensorial, e o teatro da agressão (pelos palavrões, "imagens e ações físicas sobre" os espectadores). Conquistar o público passa a ser uma batalha emocional. tinha sexo, drogas e rock and roll. Antonin Artaud autor e poeta francês de textos delirantes torna-se ídolo, e devagar vem chegando o tropicalismo. Mas era muito palavrão, muito sexo e confusão, a sociedade ia chiar.E a censura não só proíbe argumentos políticos, mas tudo o que considera "maus costumes".
Em 1974 a policia invadiu o Teatro Oficina, fechou suas portas e prendeu Zé Celso e Boal ( que depois de libertado se exilou na França).Em 1976 Sarte proíbia suas peças de serem encenadas no Brasil até que se estabelecesse "a ordem e as liberdades demoráticas".Uma das maiores forças da arte durante a Ditadura estava no teatro amador. E grupos se multiplicam pelo país de jovem frustrados. A dramaturgia que surge dai é regional, voltada para a tentativa de gerar consciência ou debate para os problemas de sobrevivência locais e por isso a margem dos censores preocupados com o que acontecia no eixo Rio-São Paulo. Ai as grandes batalhas estão sendo travadas. A tática dos censores é genial. Liberam textos quase na estréia, depois cancelam, suspendem peças em cartaz e quebram a estrutura financeira dos teatros. Prendem autores e diretores, fecham grupos, ameaçam. Não proíbem nem liberam-" congelam textos" e os cortam arbitrariamente, fazem ataques terroristas aos teatros.
Mas nos anos de 1970, o brasil contou com o apoio do teatro internacional que visitava o país com suas peças. Estiveram aqui o Living Theatre, o Open Theatre, Ionesco, Genet, Grotowski, Lavelli, Robert Wilson, alguns trazidos pelos festivais organizados por Ruth Escobar. E essa época épica, forjou um teatro brasileiro de imensa qualidade. Nasceu o CPT de Antunes Filho que causou imenso impacto na cena nacional e internacional.
Em 1978 o AI-5 foi suspenso, mas os censores continuaram, agora como "força atenuante" e como compensação o governo começava inesperadamente a oferecer recursos ao setor cultural. Um verdadeiro morde e assopra. No entanto esse foi o período mais prolífico da dramaturgia brasileira e também dessa sopa de criatividade nasceram os maiores nomes do nosso teatro. Diretores espetaculares que absorveram a força de expressão de um arte e atores com características muito especiais que são um orgulho que poucas nações podem comemorar.

Algumas peças importantes encenadas sob a ditadura
O show Opinião- Vianninha, Paulo Pontes e Armando Costa
Liberdade, Liberdade - Millôr Fernandes e Flavio Rangel
Arena conta Zumbi
Arena conta Tiradentes
O Homem do principio ao fim - Millôr Fernandes
O assalto - José Vicente
Fala baixo senão eu grito - Leilah Assumpção
A flor da pele -Consuelo de Castro
Um grito parado no ar -Guarnieri
O Botequim- Guarnieri
Apareceu a margarida - Roberto Athayde
Gota D'agua - Chico Buarque e Paulo Pontes
A Ópera do Malandro - Chico Buarque
A resistência - Maria Adelaide Amaral
Murro em ponta de faca - Boal
Rasga coração - Vianninha
Caminho de volta - Consuelo Castro
O Último Carro - João das Neves
A fábrica de chocolates - Mario Prata
Campeões do mundo - Dias gomes
Patética - João Ribeiro
Navalha na carne - Plínio Marques

Algumas peças proíbidas
A Invasão - Dias Gomes
Tio Patinhas e a pílula - Augusto Boal
Arena conta Tiradentes - Augusto Boal e Gian Francesco Guarnieri
Mateus e Mateusa - Qorpo-Santo
Entre quatro paredes - Sartre
A passagem da rainha - Bivar
Basta - Guarnieri
Revolução na America do Sul - Boal
O aprendiz e o feiticeiro (infantil) - Maria Clara Machado
O rei morreu, viva o rei - César Vieira
Milagre na cela - Jorge Andrade
Caixa de cimento - Carlos Henrique Escobar
Feira Brasileira - Opinião (autoria do grupo)
Trivial simples - Nelson Xavier
Rasga Coração - Vianninha
A massagem - Mauro rasi
Os fuzis da senhora Carrar - Brecht
O comportamento sexual do homem - Boal
As hienas - Bráulio Pedroso
Abajur lilás - Plínio Marcos
Delito Carnal - Eid Ribeiro

FONTE: Teatro Brasileiro, panorama do século XX