sexta-feira, 9 de março de 2012

vídeo reportagem sobre tortura no Brasil (1971)

Buscado no Comunistas


NÃO DEIXE QUE ESTAS HISTÓRIAS CAIAM NO ESQUECIMENTO.
Encontrei este documentário histórico sobre a tortura no período militar e para facilitar a visualização e a divulgação coloquei em forma de post. Não há como não ficar emocionado ao ouvir estas pessoas que sofreram tanto para mudar a situação deste país. Não deixe que estas histórias caiam no esquecimento e que a impunidade prospere. A mídia reacionária brasileira quer desumanizar os fatos ocorridos durante as décadas de 60 e 70. A mídia chama a COMISSÃO DA VERDADE que o governo quer criar para punição dos crimes militares de “revanchismo” porque quer que pensemos nos fatos ocorridos naquele período como se fosse um tipo de “Fla-Flu” entre a Esquerda e a Direita em que esta última foi vitoriosa e agora os esquerdistas querem vingança. Não é vingança. Não queremos torturar, nem matar quem torturou e matou. Queremos apenas justiça. Quando encontrar com alguém que defende os militares. Não se omita! Diga francamente que o que ele está defendendo é a impunidade para torturadores, estupradores e assassinos que torturaram, estupraram e mataram jovens, mulheres, idosos e crianças.
Documentário Brazil: A Report on Torture (1971), de Haskell Wexler e Saul Landau. Filmado no Chile, logo após a chegada dos 70 presos políticos brasileiros trocados pelo embaixador suíço, é um documentário com cenas fortes (há reconstituições de vários tipos de tortura). Os autores do documentário estavam no Chile, para entrevistar Salvador Allende, e, enquanto esperavam para marcar a entrevista, ficaram sabendo da chegada do grupo. Resolveram entrevistá-los. É um documento histórico. Um dos entrevistados é o Frei Tito, que, mais tarde, veio a se suicidar (em 1974, na França), assim como uma outra entrevistada, Maria Auxiliadora Lara Barcelos, que também se matou (em 1976, em Berlim). No vídeo, aparecem também Jean Marc van der Weid, ex-presidente da UNE e Nancy Mangabeira Unger, irmã do ex-ministro.

Vídeo 1 – Os militantes fazem demonstração da tortura conhecida como pau-de-arara. Em que colocam o preso pendurado num pedaço de ferro com os mãos e pés amarrados por 40 horas ou mais e jogam água em seu nariz com uma mangueira. Batem nos seus pés com um pedaço de pau. Os militantes explicam que muitos morreram por não falarem nada: Virgílio, Mário Alves, Bacuri, Carlos Mariguella, Joaquim Ferreira e muitos outros. Uma dos depoimentos é de Maria Auxiliadora Lara Barcelos, de 25 anos, que sofreu torturas sexuais no DOPS: “Nos tiraram a roupa e fizeram uma série de torturas: espancamentos, telefone, fizeram simulação de atos sexuais e chamaram todos os outros funcionários do DOPS para assistir. Deixaram-me em pé cerca de 6 horas; deram-me choques elétricos. As mulheres eram torturadas com choques na vagina, seios e orelhas.”

Vídeo 2 – Neste vídeo a militante Nancy Mangabeira Unger, de 23 anos, mostra as marcas de bala que tem pelo corpo. Ela diz ao repórter em inglês:“Não sei como nos encontraram, nunca me explicaram, mas a polícia chegou 4 horas da manhã. Eu acordei com tiros nas janelas. Eram 20 homens com metralhadoras, revólveres e pistolas. Eu levei tiros nos pulmões, fígado e na mão”. Os militantes fazem uma demonstração de tortura em que o torturado ou torturada ficam ser roupa e amarrados de cabeça para baixo. Eles contam que são colocados fios desencapados no ânus, vagina e membros. Toda a parte sensível do corpo. Há também depoimentos de Frei Tito que ouviu de um torturador que:“É preciso que passem todos os brasileiros pelo pau-de-arara para sabermos quem é patriota e quem não é”. E de Sonia Yessin Ramos, 23 anos militante do MR-8. Ela explica que “A maneira de resistir é o ódio que se reforça naquele momento e a necessidade de não entregar companheiros porque entregar companheiros é entregar a Revolução. Com a firmeza ideologia e política é que se pode resistir”.   


Vídeo 3 - A companheira Sonia Yessin Ramos continua seu depoimento: “O choque elétrico parece a mim e aos meus companheiros a pior das torturas. Muitos companheiros, defecam, urinam e até mesmo ejaculam sob efeito do choque. O choque é corrente contínua, não é um pequeno choque de um minuto. Um companheiro que ficou no Brasil sofreu um choque contínuo de 20 minutos”. Ela explica também como é a tortura psicológica que é quando o preso é levado até um local deserto e os torturadores simulam que vão assassiná-lo. Outro militante conta que permaneceu numa solitária que é uma sala pequena, totalmente fechada e sem iluminação. Ficaram dois dias sem alimentação. Depois foi conduzido a uma sala de tortura onde foi espancado barbaramente. Também foi colocado no pau-de-arara com um cordão amarrado da cabeça aos testículos e passaram a lhe dar choques elétricos em todo o corpo. Conforme sua cabeça abaixava por causa do cansaço o cordão puxava seus testículos o que lhe causava dores horríveis. Eles falam também de um médico chamado Doutor Coutinho que observava as torturas e dava soro aos militantes que desmaiavam para que eles continuassem acordados, pois inconscientes os torturados não podem sentir dor.

 Vídeo 4 – Outros militantes falam sobre torturas como dar choques na língua enquanto a pessoa está amarrada de cabeça para baixo. Depois os guerrilheiros fazem uma demonstração de uma tortura em que o preso ficava com as pernas amarradas numa mesa, metade do corpo ficava para fora lhe comprimindo a coluna.Além disso iam colocando água em suas narinas. Um militante explica que presos como Chael e Mário Alves morreram durante a tortura de hemorragia interna e Bacuri morreu com as orelhas e dedos cortados. Há também o depoimento do advogado Antônio Expedito Pereira preso sob a acusação de defender os presos e acusados políticos. Os policiais chegaram em seu escritório e pediram todas as informações que os militantes haviam lhe confidenciado. Como se recusou a dar as informações, ele e toda sua família, foram presos e torturados inclusive a sua filha de 10 anos.


Vídeo 5 – Nesse vídeo um militante conta a história de Marcos que foi um geólogo formado e um dos mais brilhantes de sua turma. Depois de ver que sua profissão não tinha futuro pois somente os institutos de pesquisa americanos controlam a pesquisa de Petróleo no Brasil e não eles querem que o Brasil desenvolva a sua própria tecnologia ele se torna operário metalúrgico em São Paulo. Um dia foi denunciado e preso. Era propenso a ter epilepsia e os choques fizeram com que se tornasse epilético. Ele ficou com os membros do corpo paralisados e semi paralisados e hoje não consegue pronunciar uma palavra inteira sem dificuldades. “Fui visitá-lo num hospital e a única coisa que ele me disse foi que para ele a luta não terminou que ele continua operário e do lado do povo”. Depois um casal de militantes José Dias Nascimento e Jovelina Tonello do Nascimento. Ele conta que foi torturado em pleno público. Após o levarem para o cárcere chegou sua mulher e seu filho que foi obrigado a assistir o pai sendo torturado. Depois que José não conseguiu dizer mais nada a sua esposa foi torturada ela apanhava na frente dele. Os policiais sabiam que ela não participava da guerrilha mas ela foi torturada para que José falass

Vídeo 6 – Aqui os militantes fazem demonstração de uma tortura em que o torturado fica numa mesa com os testículos amarrados. Eles dizem que se sentem muito mal ao fazer estas demonstrações. Eles fazem apenas para denunciar à imprensa e tentar furar a barreira da ditadura no Brasil. Um militante explica que os guerrilheiros não optaram por este tipo de luta porque são violentos mas porque nas condições históricas do Brasil a única maneira de chegar ao poder seria através da luta armada. Se isso não for feito o sistema continuará fazendo vítimas como no Nordeste onde crianças morrem por causa da desnutrição. Depois os militantes fazem a demonstração de tortura chamada pau-de-estrada. É um tipo de tortura medieval em que os braços dos presos são amarrados a um carro e as pernas a outro. Os carros dão partida e o corpo do torturado vai sendo esticado até que as juntas se rompem e a pessoa acaba ficando inutilizada. O final do documentário é comovente: Maria Auxiliadora passeia por uma favela do Chile e conta que viveu durante dois anos em favelas no Brasil. Ela diz que as crianças eram tão famintas que não conseguiam prestar atenção nas aulas e tinham dificuldade de aprendizagem.
No final do documentário aparece uma mensagem em inglês: ENQUANTO ESTE FILME É LANÇADO O GOVERNO MILITAR BRASILEIRO CONTINUA A TORTURAR PRISIONEIROS E A NEGAR DIREITOS HUMANOS BÁSICOS. O GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS FORNECE MAIS AJUDA POLICIAL E MILITAR AO BRASIL DO QUE A QUALQUER OUTRO PAÍS SULAMERICANO. 

3 comentários:

Tibiriça disse...

Jader, entendo que a comissão da verdade está fadada ao fracasso e um dos motivos é a campanha de desinformação da mídia institucionalizada e por outra para ser realmente uma comissão da verdade precisaria que também os guerrilheiros fossem incluidos nesse processo. E mais a comissão da verdade precisa dizer como e quem nos envolveu na "revolução", também é preciso que Washington e o Kremlin dêem a sua contribuição para esclarecer a verdade do que nos fizeram passar quando estavam em busca de áreas de influência durante a sua hegemonia na guerra fria.

jader resende disse...

Obrigado Tibiriçá.
Também concordo, seja como for, pelo menos podemos comentar, fazer viva uma História que não deve ser esquecida.

Abraços

Apelido disponível: Sala Fério disse...

Essa mentirinha sobre dois lados em guerra, como se fossem dois exércitos lutando entre si pela hegemonia, é a que os militares usam para se justificar e isentar de qualquer responsabilidade. A comissão da verdade não é para investigar tudo o que ocorreu no período - é para verificar o que o Estado fez de errado contra seus cidadãos, fossem de que lado fossem. É para fazer o Estado se responsabilizar pelo que fez, ou pelo que fizeram em seu nome, já que o Estado não foi anistiado e tem responsabilidade indeclinável, a qualquer tempo, sobre todos os seus cidadãos. Sabemos que houve recursos oriundos de fora, mas não havia exércitos inimigos lutando aqui, só cidadãos brasileiros e soldados/policiais (também brasileiros) agindo em nome do Estado. Não há e nem havia lei ou regime que os autorizasse a matar ou torturar - não há justificativa legal ou anistia possível para isso, pelo menos quanto ao autor último, o Estado. Quem lutava contra a ditadura, lutava contra um regime imposto à força de tanques, fuzis e canhões, que retirou paulatinamente todas as garantias individuais e coletivas e mentiu ao povo, dizendo que devolveria o poder em um ano. Foram vinte! Nos fim da década de 60, até a classe média já estava saturada das imposições ditatoriais. Só devolveram o poder aos civis quando Washington mandou, baseado na política de Direitos Humanos do Presidente Carter (pretexto futuro para eles invadirem outros países).
A tortura e o assassinato de opositores de esquerda - ou de quem quer que se opusesse ao regime - era para manterem-se no poder a todo custo, é óbvio. Isso é crime e é inanistiável.